Ana Luiza Lodi

Ana Luiza Lodi

Formada em Ciências Econômicas pela UNICAMP com Mestrado em Teoria Econômica pela mesma universidade. Trabalha desde 2012 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, com foco na área de grãos.

Ajuste do frete mínimo para carga granel supera 4%

O tabelamento continua gerando questionamentos e preocupações

Após passar pelo Congresso, a lei que regulamenta o tabelamento do preço mínimo do frete rodoviário no país foi sancionada pelo presidente Michel Temer no início de agosto, destacando que “A Política Nacional de Pisos Mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas tem a finalidade de promover condições mínimas para a realização de fretes no território nacional, de forma a proporcionar adequada retribuição ao serviço prestado”.

Apesar de a lei prever que uma nova tabela seria publicada a cada seis meses, nos dias 20 de julho e 20 de janeiro, a tabela do dia 30/05 foi a que continuou válida até o começo de setembro, já que no dia 05/09 foi publicada uma revisão. Cabe lembrar que no dia 07/06 uma segunda tabela chegou a ser publicada, após reclamações sobre primeira, mas foi suspensa logo em seguida, por ameaças de novas paralisações por parte dos caminhoneiros.

A atualização de setembro ocorreu após a Petrobras ter anunciado no último dia 1° o reajuste de 13% no preço do diesel nas refinarias, uma vez que a lei também prevê que variações de mais de 10% no preço do diesel ensejam a revisão da tabela, mesmo que fora das duas datas previstas. Destaca-se, ainda, que surgiram novos boatos e ameaças de uma nova greve.

Considerando o custo por km rodado divulgado na tabela desta semana, o frete mínimo entre Rondonópolis/MT e Santos/SP, com uma distância de 1432 km, num Bitrem de 7 eixos, com carga útil de 37 toneladas de grãos alcançaria R$ 257,37 por tonelada, destacando que estes custos não incluem gastos de pedágio, margem do transportador entre outros. Em um segundo exemplo, de uma rota mais curta, de 626 km, de Campo Verde/MT a Rio Verde/GO, o frete mínimo por tonelada alcança R$ 118,43, também sem considerar pedágio e outros custos. A nova tabela trouxe um aumento de mais de 4% no preço mínimo do frete para estas duas rotas selecionadas.

Com essa nova revisão, as críticas ao tabelamento do preço mínimo do frete continuam. O custo para transporte carga granel é mais elevado que o de cargas perigosas e frigorificadas, além de a referência utilizada ser um caminhão de 5 eixos, enquanto no transporte de grãos tende a predominar o modelo de Bitrem de 7 eixos, ou mesmo caminhões maiores, com mais capacidade de carga útil.

Uma boa parte do transporte de grãos tem ocorrido sem o cumprimento da tabela, apesar dos riscos de multas de acordo com lei do tabelamento. Uma maior fiscalização é outro ponto que os caminhoneiros cobram do governo, mas considera-se que a fiscalização é complicada, com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) não tendo pessoal suficiente.

De qualquer maneira, a medida traz preocupações quanto ao escoamento da próxima safra e, para o milho, cujas exportações são concentradas no segundo semestre, estimativas apontam um volume menor para a safra 2017/18, mais perto de 20 milhões de toneladas, do que de 30 milhões de toneladas, com o preço mínimo do frete trazendo muita cautela.

Na última semana de agosto, os dados oficiais da Secex trouxeram um volume mais forte de exportações de milho, em 1,35 milhão de toneladas. Assim, os embarques nas próximas semanas devem ser acompanhados de perto para ver se um ritmo mais acelerado é uma tendência. No acumulado, as exportações do cereal estão mais fracas em comparação ao ano passado.

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn

Veja também

Teste já!

Experimente nossa plataforma de relatórios gratuitamente
Carrinho Item removido. Desfazer
  • Sem produtos no carrinho.