Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Uso de fertilizantes na segunda safra de milho pode recuar 6%

Ano de 2017 foi caracterizado por aumento na relação de troca entre milho e principais fertilizantes usados na cultura

No último trimestre, por exemplo, milhocultores brasileiros precisaram de 30,3 sacas da safra de milho para adquirir uma tonelada de ureia, 30,8% a mais que o necessário no mesmo período de 2016.

A maior desvantagem na aquisição dos adubos veio por conta da diminuição nos preços do grão no ano passado. A safra recorde de 2016/17 aumentou a oferta e pressionou o valor pago pela saca do grão. No ano de 2017, o indicador do preço do milho calculado pelo Cepea acumulou queda de 9,86% e encerrou o mês de dezembro cotado a uma média de R$ 32,38/sc.

O cenário interno de elevada disponibilidade e baixo retorno sobre o cultivo de milho acabou desestimulando produtores a cultivar o grão em 2017/18. Segundo a última estimativa da INTL FCStone, o país deve observar uma diminuição de 2,5% na área cultivada da safrinha, para 11,81 milhões de ha, e uma queda de 3,5% no rendimento das lavouras, para 89,5 sc/ha.

Perspectivas para os fertilizantes

No ano passado houve um adiantamento nas compras de fertilizantes para a segunda safra de milho, dadas as excelentes relações de troca e expectativas para a safra 2016/17: no último bimestre de 2016 as entregas de nitrogênio (N) aos consumidores finais no Brasil foram cerca de 43,1% maiores que no ano anterior.

O mesmo não foi observado em 2017/18: dados de novembro de 2017 mostram que as entregas aos consumidores ficaram 9,2% abaixo do respectivo mês no ano anterior. Esta tendência deve se repetir em dezembro, considerando as expectativas mais desfavoráveis à segunda safra do milho em 2017/18.

No total, projetamos que a aplicação de fertilizantes por hectare na segunda safra de milho deve diminuir 3,6% em 2017/18 na comparação com 2016/17, para 349 kg. Apesar do recuo anual, este valor é ainda um pouco maior que a média das últimas cinco safras, de cerca de 343 kg/ha.

É importante ressaltar que as últimas duas safras foram bastante atípicas. Enquanto 2015/16 – ano de quebra da segunda safra de milho – teve o menor valor dos últimos anos, de 308 kg/ha, o
ciclo de 2016/17 – período com produção recorde – foi o de maior aplicação por hectare, de 362 kg.

Por fim, junto às nossas perspectivas de uma redução de 2,5% na área cultivada, estimamos que o total de fertilizantes usados na segunda safra de 2017/18 seja de 4,12 milhões de toneladas, recuo de 6,0% em relação às 4,39 milhões de toneladas usadas na segunda safra anterior.

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