Luigi Bezzon

Luigi Bezzon

Graduando em Ciências Econômicas pela ESALQ/USP, Luigi Bezzon é analista do time de Inteligência de Mercado da StoneX em Fertilizantes e Óleos Vegetais.

Produção nacional de fertilizantes perdeu ainda mais participação no mercado doméstico em 2020

Dados da ANDA apontam que a produção nacional de adubos no ano passado caiu para a mínima em anos, enquanto importação de NPK foi recorde

O Brasil produziu pouco mais de 6,4 milhões de toneladas de fertilizantes em 2020, como apontou os últimos dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), consolidando os volumes produzidos e entregues no ano passado. Este volume representa apenas 16% do total de fertilizantes entregues aos agricultores no mesmo período, a menor participação anual em anos.

A baixa autossuficiência brasileira em fertilizantes é conhecida pelo mercado há décadas, e vem se acentuando ainda mais nos últimos anos, diante de uma demanda cada vez maior por adubos e produção doméstica em declínio. Cenário que torna o agricultor brasileiro extremamente dependente do produto estrangeiro e refém de oscilações cambiais e da dinâmica de O&D internacional.

 

Volumes de entregas, produção e importação de fertilizantes por ano no Brasil

Fonte: Siacesp/ANDA. Elaboração StoneX.

 

Em 2020, a dependência brasileira por fertilizantes estrangeiros se acentuou ainda mais. As importações de NPK foram recordes no ano passado, totalizando mais de 32,8 milhões de toneladas, assim como as entregas, que somaram 40,5 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção nacional registrou o menor volume em anos, recuando 11% em relação ao produzido em 2019.

A menor produção de fertilizantes no Brasil em 2020 foi resultado, principalmente, do processo observado nos últimos anos de diversas unidades produtivas aumentando seus níveis de ociosidade e outras paralisando as atividades definitivamente. A Petrobrás é o maior exemplo disso. A empresa estatal aprovou o encerramento das atividades na planta produtora de amônia e ureia em Araucária (PR) no início do ano passado, devido aos prejuízos acumulados na unidade. A planta possui capacidade de produção de quase 2 mil toneladas de ureia por dia e 1,3 mil toneladas de NH3, e desde então se encontra hibernada e com 100% de seus direitos à venda.

Além disso, em 2019, a Petrobrás hibernou duas outras plantas produtoras de ureia, em Laranjeiras (SE) e Camaçari (BA). As plantas permaneceram hibernadas do início de 2019 até agosto do ano passado, quando foram arrendadas pela Unigel em um contrato com duração de 10 anos. Somadas, as plantas possuem capacidade de produção de 1,15 milhão de toneladas de ureia por ano e 925 mil toneladas de amônia, e a produção foi apenas reestabelecida entre abril e março de 2021.

Estas baixas nas três principais plantas produtoras de ureia do Brasil reduziram significantemente a produção do nutriente no país no ano passado. De acordo com a ANDA, foram produzidas apenas 4 mil toneladas de ureia brasileira em 2020, contra 643 mil toneladas em 2018, quando as três unidades produtoras ainda estavam em funcionamento. O Sulfato de Amônio, cuja produção nacional é fortemente dependente das plantas de Laranjeiras e Camaçari, viram sua produção cair 35% em 2020, em relação a 2018.

 

Produção Brasileira por Fertilizante (mil toneladas)

Fonte: Siacesp/ANDA. Elaboração StoneX.

 

Vale ainda notar que os adubos fosfatados continuam figurando como os principais a serem fabricados pela indústria brasileira de fertilizantes. O super-fosfato simples (SSP) seguiu registrando o maior volume anual, com 3,75 milhões de toneladas, seguido pelo MAP, com 1,1 milhão de toneladas em 2020, sendo o complexo de plantas da Mosaic em Minas Gerais o principal polo produtor de P no país.

Diante deste contexto, para 2021, a StoneX estima um crescimento de 6% na demanda por fertilizantes, em relação ao ano passado, impulsionadas pelos preços elevados das commodities agrícolas no mercado internacional, que favorecem as condições de compra de adubos por parte dos agricultores, apesar do elevado patamar de preços dos fertilizantes.

As importações de NPK nos 5 primeiros meses deste ano já somam 8% a mais que no mesmo período de 2020, e tendência é que este volume importado se fortaleça ao longo do restante do ano, considerando o pico das entregas para as safras de verão no próximo trimestre. Diante deste cenário, o Brasil deverá intensificar ainda mais sua pauta importadora de NPK. Apesar da retomada da produção nas plantas arrendadas pela Unigel, que deverá elevar a oferta de nitrogenados no país, e da forte valorização dos fertilizantes neste que ano, que tendem a incentivar uma maior produção local.

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