Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Fretes têm comportamento misto em dezembro de 2017

Esta movimentação das cotações, que leva em conta movimentação do porto em direção às principais regiões produtoras,  tende a ser sazonal, já que as compras de adubos para a segunda safra de milho se intensificam entre dezembro e janeiro. Além disso, o pagamento de 13º salário aos motoristas e aumento do preço do óleo diesel ampliaram os custos das transportadoras no mês, o que também teve efeito positivo no preço dos fretes.

Todavia, em uma análise anual entre dez/2017 e dez/2016, os fretes apresentaram comportamento misto entre as regiões analisadas. Em uma das principais rotas de internalização dos adubos, de Paranaguá/PR a Rondonópolis/MT, o frete médio de dezembro/17 foi de R$ 168,97/t, 3,5% acima dos R$ 163,30/t cotados no mesmo mês do ano anterior. Em Sorriso/MT, os fretes seguiram a mesma tendência, subindo cerca de 9,6% em dezembro do ano passado na comparação com dezembro/16, para R$ 205,96/t.

Essas altas fazem sentido considerando o forte aumento dos custos de transporte ao longo do ano. O principal fator por trás do aumento das despesas foi o combustível, que representa cerca de um quarto dos gastos das transportadoras. Com a nova política de preço da Petrobras, esses passaram a acompanhar as variações no mercado internacional. Nos quatro estados analisados (MT, MS, GO e PR), o preço do diesel avançou, em média, 11,4% no acumulado de 12 meses até dezembro.

Entretanto, em outras regiões produtoras, os fretes de dezembro acabaram recuando na comparação entre 2017 e 2016. Em Dourados/MS, observou-se um queda de 1,9% no período, para 103,56/t. Em Catalão/GO, o recuo foi mais sutil, de 0,1%, para 162,51/t. Londrina/PR teve a maior queda, de 4,9%, para R$ 81,31/t.

São dois os principais fatores por trás disso:

1. Houve um forte crescimento das exportações de grãos no quarto trimestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano anterior. Os portos brasileiros carregaram entre outubro e dezembro de 2017 cerca de 18,85 milhões de toneladas de soja e milho, contra somente 4,68 milhões de toneladas no 4ºT de 2016. O forte fluxo de cargas em direção aos portos ampliou a oferta de caminhões para frete retorno, barateando a entrega de fertilizantes;

2. As entregas de fertilizantes para os produtores de milho de inverno se encontram em um ritmo mais lento que na temporada anterior, reduzindo a demanda por transporte. Compras do Mato Grosso, contudo, não se encontram tão atrasadas como nos demais estados, justificando a discrepância na direção do preço dos fretes para entregas nesse estado.

Perspectivas

A partir das próximas semanas, já esperamos uma reversão baixista na tendência de preço dos fretes dos fertilizantes, apesar das maiores entregas de adubos aos produtores de milho de inverno.

O início das exportações de soja da safra 2017/18 deve ampliar ainda mais a oferta de caminhões nos portos, pressionando o frete retorno. Ao mesmo tempo, diversos analistas concordam que a cotação internacional do petróleo pode ter atingido um teto no momento, limitando as altas do óleo diesel.

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