Lucas Pereira

Lucas Pereira

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP, com passagem pela School of Management da Technical University of Munich. Trabalha desde 2018 na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil, atuando nos mercados de Grãos e Pecuária.

Entregas de fertilizantes apresentam aumento no terceiro trimestre

De acordo com dados divulgados essa semana pela ANDA, entre os meses de julho e setembro foram entregues um total de 13,037 milhões de toneladas de fertilizantes aos consumidores finais brasileiros – o que equivale a um incremento de 11,78% em relação ao verificado no mesmo período de 2017, quando as entregas no terceiro trimestre somaram 11,663 milhões de toneladas. Desde o início do ano, as entregas totais acumulam 25,855 milhões de toneladas, quantia 4,28% superior a observada na mesma data no ano passado.

Após demonstrar uma demanda tímida nos dois primeiros trimestres do ano – fato justificado em grande medida pela greve dos caminhoneiros ocorrida em maio, que afetou as condições de transporte no país e os custos do frete – as entregas de fertilizantes apresentaram uma retomada a partir de julho. No primeiro mês do terceiro trimestre as entregas totais foram 17,63% maiores do que no mesmo mês de 2017, ritmo expansivo que permaneceu em agosto – quando o incremento verificado na comparação ano a ano foi de 18,87%. Em setembro, contudo, a variação positiva apresentada foi de apenas 0,33% – o que pode ser um indício do arrefecimento sazonal da demanda típico dos últimos meses do ano.

No que se refere à entrega nos estados, o incremento da demanda visto no terceiro trimestre foi preponderantemente impulsionado pelo início do plantio da soja no país: Mato Grosso e Paraná, principais produtores nacionais do grão, apresentaram acréscimos na aquisição de fertilizantes de 8,06% e 13,8% no acumulado do ano, respectivamente. Ainda, vale destacar a expansão das entregas na região do “Mapitoba” (Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), que compõe a nova fronteira agrícola e demonstrou crescimento de 16,04% no volume de entregas no período.

Apesar de expansão nas entregas, importações recuam

A despeito de um volume maior de fertilizantes ter chego ao consumidor final brasileiro em 2018 em relação ao ano passado, as importações totais no período entre janeiro a setembro verificaram variação anual negativa de 1,4%, totalizando 18,901 milhões de toneladas. As principais retrações foram as importações de N e P2O5, que reduziram 6,1% e 6,9% respectivamente. As importações de K2O, por outro lado, denotaram aumento de 3,1% no período.

O encolhimento do volume de importações pode ser explicado, sobretudo, pelo fato de que os estoques domésticos se encontram em níveis mais confortáveis comparativamente ao ano passado—acarretando em uma menor necessidade de importação de fertilizantes.

Produção interna diminui, pressionando estoques

A um cenário de demanda crescente e retração das importações, soma-se uma contração da produção interna de fertilizantes. Nos três primeiros trimestres do ano a produção nacional totalizou 5.930 mil toneladas, valor 4,8% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior. O nutriente mais impactado foi o K2O, cuja produção retrocedeu 25,1% no período. Como se verifica um consumo maior sem a expansão das importações e/ou da produção interna como contrapartida, se observa um efeito negativo nos estoques.

De acordo com as nossas estimativas, haviam cerca de 1,001 milhão de toneladas de P2O5 e 1,070 milhão de toneladas de K2O disponíveis nas reservas de importadores, distribuidores e misturadores de fertilizantes no início de outubro – o que corresponde a uma redução em relação a setembro de 2017 de 11,8%, e 2,9% respectivamente. No caso dos dois nutrientes os estoques estimados encontram-se abaixo da média para o período. Os estoques de N, porém, verificaram um encolhimento de 16,9% frente ao mesmo mês do ano passado, e também permanece abaixo da média para o período.

O cenário de estoques inferiores à média e modestas relações de Estoque/Uso, somado à perspectiva de uma redução da demanda doméstica nos próximos meses, constituem um indicador que nos próximos meses o preço doméstico de fertilizantes deve ficar mais caro em relação ao preço internacional, por conta da disponibilidade reduzida relações de troca desfavoráveis para o produtor brasileiro.

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