Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Diferencial de preços de milho e soja deve favorecer demanda por fertilizantes em 2019/20 nos EUA

Co-escrito por

Lucas Pereira
Lucas Pereira

Contexto de guerra comercial deve levar à expansão de área plantada de milho

A demanda por fertilizantes, em especial os nitrogenados, deve se aquecer no primeiro semestre de 2019 nos Estados Unidos. A perspectiva deriva da expectativa de um avanço da área plantada com milho sobre extensões previamente dedicadas à soja no país. A produção do cereal deve continuar se beneficiando da queda das cotações da oleaginosa no atual contexto das tensões comerciais sino-americanas, como constatado no ratio dos preços dos grãos.

O ratio, indicador acompanhado pelos produtores entre os meses de dezembro e março durante o processo de tomada de decisão do plantio, representa o diferencial de preços entre as duas commodities. Historicamente, os agricultores analisam a relação entre o contrato de novembro da soja e o de dezembro do milho, antes de iniciarem a semeadura no mês de maio. Um ratio mais elevado (acima de 2,2) sinaliza uma remuneração mais vantajosa da soja perante o milho, enquanto um diferencial menor (abaixo de 2,2) tende a favorecer uma ampliação da extensão plantada do milho.

O nível do ratio permaneceu acima de 2,2 ao longo de todo o ano, contudo, após a imposição de tarifas de 25% sobre as importações da soja norte-americana pelo governo da China em junho, nota-se uma redução significativa do diferencial entre os preços (vide gráfico 1). As tarifas adicionais entraram em vigência no início de julho, levando a uma queda de 3,6% do ratio, mas é passível de observação que o movimento de queda iniciou em meados de abril, após as primeiras declarações de Trump e Xi Jinping sobre suas relações comerciais.

Para 2019/20, o atual diferencial de preços se encontra em 2,36 representado a queda das cotações da soja devido à demanda chinesa arrefecida. A INTL FCStone estima que em maio serão plantados cerca de 34,24 milhões de hectares com soja, representando um recuo de 4,2% em relação à 2018/19, e um avanço de 2,3% da área do milho, a totalizar 36,89 milhões de hectares.

A produção de milho norte-americana é conhecida por apresentar anualmente altos níveis de produtividade, alcançando 10.166 kg/hectare em 2017/18. Os rendimentos, no entanto, são atingidos devido ao consumo elevado de fertilizantes, distribuídos, geralmente, em duas aplicações ao longo do ciclo de produção.

Como observado no gráfico 2, as importações de nitrogenados entre fevereiro e abril de 2017, período de chegada e estocagem dos nutrientes para a aplicação no mês posterior, acompanhou a redução da área plantada de milho, em um ano de ratio mais elevado (favorecendo a soja). A tendência também foi registrada em 2016, quando a área plantada de milho expandiu, acompanhando um diferencial de preços menor entre dezembro e março, acarretando em importações de fertilizantes mais robustas.

De tal modo, analisando o ratio atual, pode-se esperar um incremento adicional na demanda sazonal de fertilizantes no início de 2019, caso o atual contexto das cotações de soja se mantenha. Assim, a partir de dezembro o produtor norte-americano deve começar a acompanhar minuciosamente o ratio SX9/CZ9 para definir a área plantada em 2019/20, enquanto o mercado de fertilizantes tenta antecipar essa demanda.

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