Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Petróleo recua com possível aproximação entre EUA e Irã   

O mercado de petróleo, e de outros ativos do mercado financeiro, suguem sensíveis a notícias da Guerra Comercial entre os Estados Unidos e a China. Os futuros da commodity iniciaram a semana em alta, impulsionados pelo apaziguamento do conflito, após fala do presidente Trump de que os chineses estariam dispostos a retornar à mesa de negociações. Durante a tarde, os preços devolveram os ganhos, após o presidente Macron anunciar que preparações estariam sendo feitas preparações para uma reunião entre Trump e Rouhani, presidente do Irã. Os contratos para outubro do Brent e do WTI recuaram 1,08% e 0,98%, respectivamente, fechando a USD 58,70/bbl e USD 53,64/bbl.

Os futuros do petróleo iniciaram a semana em alta, impulsionados pelo apaziguamento do conflito entre os Estados Unidos e a China. O presidente Trump disse, após a cúpula do G7, que o negociador comercial da China, o vice primeiro ministro Liu He, está mostrando disposição para encontrar uma solução à disputa através de um acordo. O presidente disse que os chineses ligaram para os representantes americanos e sugeriram retornar à mesa de negociações. Mais tarde, o ministro das relações exteriores da China disse que não tinha conhecimento sobre as ligações.

As notícias de reaproximação entre os países, embora incipientes, deram suporte aos mercados financeiros, comprovando a atual sensibilidade deles às notícias da Guerra Comercial. O mercado enxerga a disputa tarifária como o principal fator que poderia colocar a economia global em recessão. O índice de ações americanas S&P500 avançou 1,10% e o índice de commodities CRB, 0,18%, na segunda-feira, apesar da queda do petróleo.

O movimento de alta do petróleo foi revertido após Macron afirmar que preparações estão sendo feitas para uma reunião entre os presidentes Trump e Rouhani, para rediscussão do acordo nuclear para o Irã. Espera-se que o encontro ocorra durante a Assembleia Geral da ONU, entre os dias 23 e 30 de setembro.

A volta da produção iraniana ao mercado causaria um grande desequilíbrio no balanço de oferta e demanda, e uma queda significativa nos preços no curto prazo. Os agentes, contudo, ainda agem com cautela, e precificam apenas uma pequena possibilidade de que as tensões com o Irã sejam resolvidas em breve. Também deve se considerar que a liberação das exportações iranianas possa ocorra aos poucos: de início, é provável que o acordo preveja a criação de cotas para os principais compradores (semelhante à política de isenções do começo deste ano). Além disso, também deve se considerar a possibilidade de reação da OPEP+, com redução dos atuais tetos de produção e inclusão do Irã ao acordo de produção.

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