Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

EUA não renovarão isenções para se importar petróleo do Irã   

Os futuros do petróleo fecharam o pregão desta segunda-feira (22) em alta, com a confirmação do Departamento de Estado dos EUA que as isenções de oito países para importar petróleo do Irã, que se encontra sobre embargo dos americanos, não serão renovadas. Relatos sobre a decisão já circulavam na mídia no dia anterior, de modo que o mercado já abriu em alta, e apresentou comportamento relativamente lateral no restante do pregão. O Brent fechou o dia em alta de 2,88% (207 pontos), a USD 74,04/bbl, enquanto o WTI registrou avançou de 2,66% (170 pontos), a USD 65,70/bbl.

A divulgação da decisão do governo americano foi uma surpresa para o mercado, que esperava o anúncio somente para o dia 3 de maio, data de expiração das isenções dos oito países. Também se esperava que parte das isenções seriam renovadas para mais seis meses.

Os comunicados do Departamento de Estado e da Casa Branca afirmaram que a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e outros aliados estão comprometidos em garantir que os mercados globais de petróleo permaneçam adequadamente supridos, e que concordaram em tomar medidas para garantir que a demanda global seja atendida. Não está claro se isso significa que esses países abandonarão seus tetos de produção do acordo da OPEP+ imediatamente (o que abriria espaço para os demais países do acordo fazerem o mesmo), ou somente apoiarão a não renovação do acordo após seu término, no final de junho (como já era esperado caso os EUA não rolassem as isenções). Lembramos que a produção da Arábia Saudita se encontra abaixo de sua cota no acordo da OPEP+, de modo que pode aumentá-la em 500 mil barris por dia (kbpd) sem descumprir o pacto.

Dessa maneira, visualizamos dois possíveis cenários para o curto prazo:

1- O Irã deixa de ofertar 1 mbpd a partir de maio; a Arábia Saudita aumenta sua oferta em 500 kbpd nas próximas semanas, e o acordo da OPEP+ continua em vigor até o final e junho. O balanço de oferta é pressionado justo no período de pico sazonal da demanda das refinarias, que constroem estoques de gasolina para a driving season, gerando um déficit de curto prazo no balanço global. O mercado retorna para o equilíbrio ou superávit a partir do terceiro trimestre, todavia, sem o spare capacity dos países da OPEP+, fica abalável a interrupções na produção por outros fatores, como a crise política na Venezuela, a Guerra Civil na Líbia etc. Nessa conjuntura, projetamos preços do Brent entre USD 75-85/bbl no curto prazo, e retorno para a faixa de USD 65-75/bbl no médio prazo.

2- O Irã deixa de ofertar 1 mbpd a partir de maio; a OPEP+ abandona antecipadamente o acordo de ajuste de oferta de dezembro passado, e aumenta sua produção em até 1,5 mbpd ao longo das próximas semanas. Nesse caso, o mercado permanece bem suprido inclusive no curto prazo, apesar de ficar mais abalável a interrupções na produção por outros fatores sem o spare capacity dos países da OPEP+. Nesse caso, mantemos nosso cenário de curto e médio prazo para o Brent na faixa de USD 65-75/bbl. O mercado também permanece sujeito a sobreoferta e um novo colapso nos preços no final do ano, período de demanda sazonalmente baixa.

Também é necessário se levar em consideração a possibilidade de os EUA não conseguirem zerar as exportações do Irã de fato. No embargo anterior ao Acordo Nuclear, países como a China e a Índia continuaram a adquirir produto iraniano, violando as sanções internacionais. A União Europeia já criou um veículo que possibilidade comercializar produtos com o Irã sem o uso do dólar ou do sistema interbancário Swift, do qual bancos iranianos foram banidos. Acreditamos ser pouco provável que empresas e países violem o embargo dessa vez, visto que o risco de sofrerem punições do governo americano é superior à recompensa de se adquirir petróleo iraniano com desconto. Apesar disso, não se deve descartar essa possibilidade, que teria efeito baixista no mercado.

Como o embargo contra o Irã tem maior impacto no mercado internacional que no americano, o Brent avançou mais que o WTI, estendendo o spread entre os produtos para USD 8,49/bbl (para a tela de junho).

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