Bruno Santos

Bruno Santos

Formado em Economia e Relações Internacionais pela FACAMP. Trabalha desde 2021 na Inteligência de Mercado da Stonex do Brasil, com foco na área de Energia.

Como se comportam os estoques de diesel ao redor do mundo

A deterioração dos estoques de diesel ao redor do globo segue como uma das principais preocupações do mercado energético. Nos EUA, os níveis de reserva do produto na terceira semana de março/22 chegaram em 112,13 milhões de barris, valor muito próximo das mínimas históricas registradas nos últimos 10 anos.

Tal movimentação reflete o avanço do consumo do combustível ao longo de 2021 e 2022, motivado pela forte recuperação econômica global e pela retomada dos níveis de mobilidade nos principais países consumidores do derivado. Desde o início de 2022, a demanda por diesel nos EUA ficou abaixo da média histórica em por três semanas apenas, ao passo que o consumo doméstico operou próximo às máximas históricas nas demais semanas.

Essa situação evidencia que, mesmo com preços historicamente elevados do derivado ao consumidor final no país, que chegou a atingir USD 5,25 por galão na segunda semana de março, a demanda segue aquecida – de modo que os preços altos não deverão afetar o consumo nos próximos meses.

Especificamente nos EUA, o balanço do diesel ((Produção + Importação) – (Consumo + Exportação)) se apresenta deficitário desde 2010, movimento ocorrido principalmente pelo aumento das exportações do produto.

Na Europa, as reservas de diesel seguem se comportando de maneira similar. De acordo com dados do Euroilstock, o continente registrou o menor inventário do produto desde 2007 ao final de fevereiro/22, chegando a 386 milhões de barris.

Segundo os dados do Euroilstock, no final de fevereiro/22, os estoques do continente se posicionavam em 386 milhões de barris. Deste modo, no presente, o continente registra o menor valor de diesel estocado desde 2007.

Desde 2010, a União Europeia promoveu um aumento das exportações de diesel, ao passo que as importações diminuíram. A situação serviu de suporte à deterioração das reservas do produto no continente, principalmente diante de uma expansão da demanda em 2021, conforme as economias europeias apresentavam rápida recuperação econômica e dos níveis de mobilidade no segundo semestre do ano.

Paralelo a isso, a produção de diesel na União Europeia registrou quedas expressivas. Em 2021, por exemplo, a oferta local do produto foi 13% menor quando comparado com os níveis de 2015, sendo o menor volume registrado nos últimos 12 anos. A queda da produção doméstica, somada a uma redução das importações, resultou na ampliação do déficit no balanço de O&D do combustível, culminando em problemas nas cadeias logísticas deste combustível no bloco econômico europeu.

Além disso, tem-se a preocupação de que as sanções impostas pela União Europeia contra a Rússia possam gerar problemas na compra de diesel no médio prazo. Apesar das punições financeiras não terem afetado o fluxo do combustível até o momento, a continuidade da guerra se coloca como ponto de atenção para o envio de produtos energéticos ao bloco econômico europeu, podendo causar uma deterioração ainda maior das reservas.

A queda da oferta do produto nos principais polos produtivos traz também preocupações para o mercado brasileiro. No final desse mês, a ANP determinou que as distribuidoras e refinarias deverão informar diariamente os estoques de combustíveis em posse destas, no intuito de acompanhar a oferta interna.

Seguindo caminho parecido ao da União Europeia, o Brasil vem apresentando, desde 2018, um balanço deficitário do diesel. Como citado no último parágrafo, parte do motivo é encontrado na redução da produção doméstica, que tornou o país mais dependente das importações. Em 2016, cerca de 14,9% da oferta total de diesel no Brasil era proveniente de compras estrangeiras, ao passo que, em 2021, a participação das importações avançou para 25,2%.

Mesmo mantendo um fator de utilização das refinarias aquecido, a produção local atual não consegue suprir toda a demanda existente, sendo necessário uma ampliação das importações, que ao longo de 2021 e 2022 foram fortemente impactadas por momentos de alta defasagem entre os preços praticados no mercado doméstico e internacional.

Atualmente, o governo brasileiro também conta com a preocupação em relação à falta do produto no mercado global. Dessa forma, será necessário manter um acompanhamento muito próximo em relação aos conflitos no Leste Europeu, aos níveis de exportações de diesel norte-americano e ao consumo do produto na União Europeia, nos EUA e na Ásia, visando compreender a possibilidade real de um desabastecimento do produto no país.

Essa situação de uma baixa histórica das reservas de diesel ao redor do mundo refletiu num aumento expressivo dos preços do combustível, que no início de março alcançou USD 4,4373/gal. Além disso, permitiu também uma ampliação forte do crack-spread (diferencial) entre diesel (ULSD) e petróleo (Brent), aumentando consideravelmente a margem dos refinadores no curto prazo.

Bruno Santos

Formado em Economia e Relações Internacionais pela FACAMP. Trabalha desde 2021 na Inteligência de Mercado da Stonex do Brasil, com foco na área de Energia.

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