Marina Malzoni

Marina Malzoni

Formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e mestranda em Economia Agrícola pela University of Alberta. Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de milho e pecuária.

Previsão de queda no confinamento poderá dar suporte ao mercado

Reposição e insumos em alta pesam sobre o bolso do pecuarista

A valorização do mercado de reposição tem chamado a atenção da cadeia pecuária em 2020, com o indicador ESALQ/B3 do bezerro atingindo a máxima histórica de R$ 1.880 em meados de abril. Após períodos de forte descarte de matrizes, a oferta de bezerros se encontra mais retraída, o que tem sustentado o preço da arroba do boi gordo, mesmo que em um período de crise econômica ocasionada pela Covid-19. Tal conjuntura categoriza o ciclo de alta da pecuária, com a valorização dos preços incentivando o investimento na atividade de cria e puxando para cima a procura por animais de reposição.

Assim, o mercado do boi gordo segue sustentado pela oferta comedida de animais para o abate, com a retenção de fêmeas ganhando força neste instante. No entanto, para o segundo semestre, período de entressafra de boi, muito se tem questionado a respeito da disponibilidade de animais terminados no mercado e tendências de preços para a arroba.

Gráfico 1: Sazonalidade do abate de bovinos

Fonte: IBGE. Elaboração: StoneX

Conforme demonstrado na figura abaixo, o segundo semestre do ano resulta, historicamente, em um ganho no volume de abates de bovinos, na ordem de 4%, considerando o período entre 1997 e 2019 como referência. Além do mais, observa-se que o peso médio histórico da carcaça também é expressivamente maior, girando em torno de 238 kg/cabeça, em resposta a uma produção mais intensiva diante da entrada dos giros do confinamento.

Assim, a produção pecuária em sistema intensivo tem grande contribuição com a oferta de animais no mercado. Dentre as principais variáveis influenciando o volume de cabeças a serem confinadas pelo pecuarista, o preço da reposição, a cotação da arroba futura do boi gordo e os custos com a formulação de rações têm sido, ao longo dos anos, os mais relevantes. Tendo esses três fatores em mente, conclui-se que, o ano de 2020, até o momento, tem sido desafiador ao confinador.

Dentre o custo total do confinamento, os gastos com a compra de animais de reposição correspondem por cerca de 70% deste, ao passo que os insumos para nutrição têm um peso aproximado de 20%. Assim, levando em consideração a alta nos preços dos animais de reposição, bem como a valorização do milho, pecuaristas já estão mudando suas estratégias para o confinamento deste ano e, inclusive, demonstrando uma menor intenção de confinar em relação à 2019.

Gráfico 2: Evolução da relação de troca entre o boi gordo e o bezerro

Fonte: Cepea. Elaboração: StoneX

Pelo lado do milho, o cereal também atingiu recordes de preços neste início de ano, em resposta à menor disponibilidade interna do grão, valorização do dólar e demanda aquecida, principalmente, em resposta ao avanço de seu processamento para produção de etanol. No entanto, diante dos efeitos da pandemia de Covid-19, a demanda pelo cereal já vem sendo penalizada, o que tem levado à desvalorização recente dos preços físicos do milho. Vale ponderar também, que a pressão de baixa deverá ganhar força com o início da colheita da safrinha, o que facilitará as estratégias de compra do confinador.

Ainda assim, a relação de troca entre o boi gordo e o milho está mais apertada no comparativo com 2019. Considerando o mês de maio como referência, a relação de troca com o cereal está cerca de 9% inferior à vista no mesmo período do ano passado, indicando um menor poder de compra do pecuarista. O mesmo quadro é observado para a reposição, com a forte valorização do bezerro e a pressão de baixa no mercado do boi gordo pressionando as margens do confinamento.

Neste contexto, os efeitos da pandemia de coronavírus entram como fatores agravantes em função do arrefecimento do consumo doméstico de carne bovina. A arroba futura do boi gordo ainda permanece sem indícios de uma reação positiva, o que desanima o setor pecuário e a lucratividade da operação. Neste sentido, conclui-se que a aversão ao risco já acerca os números do confinamento.

Caso confirmado, o menor número de cabeças destinadas ao abate no segundo semestre do ano poderá mudar o rumo das cotações do boi gordo. Em meio ao avanço das exportações, com a China retornando fortemente às compras, e também diante da possibilidade do aquecimento do consumo doméstico no segundo semestre, em resposta ao relaxamento das políticas de quarentena, o cenário se torna positivo à demanda. Com isso, a principal dúvida do setor gira em torno da oferta, sobretudo, com relação à capacidade produtiva do Brasil para abastecer o possível avanço na procura por proteínas de origem animal.

Diante desta conjuntura adversa, a atenção do mercado se volta à viabilidade do confinamento e ao volume de abates no segundo semestre, que se for aquém da média de anos anteriores, poderá colaborar com uma pressão de alta na arroba do boi gordo.

 

 

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