João Lopes

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.

Participação brasileira nas importações chinesas de carne bovina avança consideravelmente em 2020

Mesmo com início de recuperação no rebanho suíno chinês, importações do gigante asiático podem continuar firmes no médio prazo.

A China é uma das principais produtoras de proteína animal do mundo, se posicionando entre as 5 maiores ofertantes de carne suína, bovina e de aves. É no mercado da proteína suína que o gigante asiático mais se destaca, ocupando a primeira colocação no ranking de produtores. Até 2018, sua produção correspondia a cerca de 50% de toda a oferta global, segundo dados do USDA.

Contudo, a partir do final de 2018, o país passou a sofrer com uma crise sanitária, provocada pela disseminação da Peste Suína Africana (PSA) entre os rebanhos chineses, varrendo fazendas em todo seu território. De acordo com estimativas do USDA, em 2019, a produção de carne suína recuou para 42,5 milhões de toneladas CWE (equivalente de carcaça), cerca de 20% a menos que no ano anterior. Para 2020, o Departamento projeta uma produção chinesa de 38 milhões de toneladas CWE, quase 30% abaixo das cerca de 54 milhões de toneladas produzidas anualmente antes do surto de PSA.

Desse modo, a forte queda na oferta chinesa fez com que o país asiático recorresse ao mercado externo para garantir o abastecimento de proteína animal em seu mercado doméstico. Além da maior importação de carne suína, as compras de carne bovina pelo país asiático também avançaram consideravelmente nos últimos anos. Segundo dados da alfândega chinesa, o gigante asiático importou 1,4 milhão de toneladas de carne bovina nos 8 primeiros meses de 2020. Esse volume representa um avanço de 42% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 118% em comparação com o mesmo período de 2018, quando a crise sanitária ainda não havia dizimado os rebanhos suínos do país.

Evolução das importações chinesas de carne bovina (mil toneladas)

Fonte: Alfândega chinesa. Elaboração: StoneX.

Além da grande variação no volume importado, observou-se uma mudança na participação das origens das importações chinesas. Em 2019, a demanda adicional por carne bovina foi suprida principalmente por maiores compras das proteínas australiana, neozelandesa e argentina. Das 306,1 mil toneladas a mais adquiridas em 2019, em relação a 2018, 287,7 mil toneladas vieram desses três países. Em 2019, as cinco principais origens das importações chinesas foram Brasil, com 399,5 mil toneladas (24%), Argentina, com 375,5 mil toneladas (23%), Austrália, com 307,2 mil toneladas (19%), Uruguai 285,7 mil toneladas (17%) e Nova Zelândia, com 214,3 mil toneladas (13%).

Em 2020, com mais um forte aumento da demanda chinesa pela proteína internacional, o Market Share dos principais fornecedores mudou significativamente. Entre janeiro e agosto deste ano, o gigante asiático importou 410,7 mil toneladas de carne bovina acima do registrado no mesmo período do ano anterior, sendo que desse total, 317,9 mil toneladas foram originadas do Brasil. Desse modo, o acumulado das exportações brasileiras com destino à China totalizou 518 mil toneladas, 37% do total. Em seguida, destacam-se Argentina, com 314,8 mil toneladas (23%), Austrália, com 200,0 mil toneladas (14%), Uruguai, com 154,1 mil toneladas (11%) e Nova Zelândia, com 124,6 mil toneladas (9%). Vale destacar, que a menor participação australiana ocorreu, em grande parte, em função de uma temporada de incêndios mais intensa que o normal, o que resultou na devastação de milhares de hectares e em danos à produção de carne bovina no país.

Evolução das participação nas importações chinesas (%)

Fonte: Alfândega chinesa. Elaboração: StoneX. *Entre janeiro e agosto

Com a provável recuperação do rebanho da China no futuro, já começam a surgir questionamentos sobre a continuidade da demanda do gigante asiático, pois o crescimento da produção chinesa poderá impactar as importações do gigante asiático. Por outro lado, o impacto da retomada da produção de suínos na China não deverá, no curto prazo, afetar as compras do país asiático de maneira tão intensa, visto que deverá demorar para que os patamares registrados antes da crise sanitária causada pela PSA sejam alcançados novamente. Segundo dados do USDA, a produção de carne suína na China deverá totalizar 41,5 milhões de toneladas CWE em 2021. Apesar deste volume representar um avanço de 9,2 % em relação a 2020, caso concretizado, ficará 23,1% abaixo dos números anteriores à crise de PSA.

Desse modo, o USDA estima que a importação chinesa de carne bovina no próximo ano permanecerá no mesmo nível de 2020. Portanto, pode-se esperar que, apesar do início de uma retomada na produção chinesa de proteína animal, a demanda do país asiático pela carne bovina de outros países poderá permanecer firme no médio prazo.

 

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