Marina Malzoni

Marina Malzoni

Formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e mestranda em Economia Agrícola pela University of Alberta. Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de milho e pecuária.

Oferta mundial em risco estimula a procura por carnes do Brasil

Crise pecuária nos EUA pode favorecer as exportações de proteínas de origem animal

O setor pecuário permaneceu pressionado ao longo do mês de abril diante do avanço da pandemia de COVID-19 e de seus impactos negativos no consumo mundial de carne bovina. No entanto, apesar das desvalorizações dos preços futuros da arroba do boi gordo, com o contrato de mai/20 atingindo a mínima anual de R$ 164,4/@ em meados de março, uma reação positiva já tem sido observada pelo mercado.

O mês de maio iniciou com os futuros registrando um avanço de 9,6% em relação ao mesmo período do mês anterior. Apesar da tendência apontar para uma pressão de baixa com a entrada sazonal do boi a pasto na composição dos abates, o ciclo de alta da pecuária bovina sustenta a cotação da arroba, que ainda está cerca de 30% superior ao preço registrado em mai/19.

Gráfico 1: Cotações futuras do boi gordo (mai/20) – R$/@

Fonte: CME. Elaboração: StoneX

Não apenas a maior retenção de matrizes fornece suporte ao mercado do boi gordo, mas a conjuntura favorável ao estreitamento de laços com novos parceiros comerciais também incentiva a alta nas cotações, com as exportações nacionais seguindo em tom otimista. O surto de COVID-19 ainda não impacta fortemente a logística da produção brasileira, diferente do que já é visto em demais países produtores, tais como os EUA e a Austrália, que tiveram o processamento e escoamento de sua produção penalizados diante das medidas políticas de contenção do avanço do vírus.

Gráfico 2: Principais parceiros comerciais norte-americanos (2019)

Fonte: USDA. Elaboração: StoneX

Gráfico 3: Evolução dos destinos das exportações em abril frente a março (%) – Brasil

Fonte: ComexStat. Elaboração: StoneX

No caso específico dos EUA, casos de transmissão da doença entre funcionários de frigoríficos tem levado a mortes e chamado a atenção nas manchetes, com grandes processadoras de carne sendo fechadas por tempo indeterminado no país. Em meio à redução dos abates, casos de eutanásia de animais já vêm sendo registrados pelo setor. No entanto, no dia 28, o presidente norte-americano, Donald Trump, temendo por um desabastecimento populacional, determinou que as plantas frigoríficas permanecessem ativas, sendo ainda uma decisão a ser reivindicada diante das novas ondas de contaminação em resposta ao retorno das atividades das indústrias.

Os EUA, que ocupam a posição de líder em produção de carne bovina e de frango, sendo um dos principais países produtores de carne suína, também é um grande exportador de proteínas de origem animal, detendo notória participação no mercado externo. Ao longo de 2019, as exportações norte-americanas de carne bovina, suína e de frango corresponderam por, respectivamente, 13%, 27% e 31% do volume total exportado no mundo.

A conjuntura desfavorável à pecuária norte-americana favorece o Brasil, que já havia conquistado mercados consumidores, principalmente na Ásia, diante da desvalorização do real e perda do rebanho efetivo australiano. Agora, em meio à retração nos abates nos EUA, o cenário se torna ainda mais otimista para o Brasil, com as exportações crescendo, capturando novos polos consumidores e, inclusive, expandindo a sua capacidade de atender a demanda doméstica nos EUA. Em abril, o Brasil exportou, efetivamente, carne bovina in natura para os EUA, pela primeira vez desde a restrição de 2017, totalizando 130,7 mil toneladas embarcadas. Já os embarques de carne suína para atender o consumo norte-americano cresceram 37,1% no referido mês, ao passo que os de carne de frango registraram forte recuo em relação ao mês anterior.

De modo geral, ainda que a pandemia tenha retraído a demanda doméstica brasileira por carnes, no mercado externo, a procura por proteína animal é crescente em meio à penalização da produção pecuária de grandes players produtores e exportadores. Esta conjuntura beneficia o Brasil, que permanece com o abate normalizado, principalmente, para bovinos, garantindo o avanço dos volumes embarcados para abastecer a demanda global. Além do mais, negociações chinesas já indicam a forte retomada do gigante asiático às compras, com os embarques de abril de carne bovina para a Chiina alcançando 60,8 mil toneladas, em função da gripe aviária e peste suína africana, que ainda prejudicam a recuperação de sua produção animal.

No entanto, vale ponderar que a crise vivenciada nos EUA é um alerta para o Brasil. Casos brasileiros de transmissão entre funcionários de frigoríficos já foram relatados, o que frisa a importância de investimentos em um melhor controle sanitário nas plantas frigoríficas. Outras paralisações no Brasil também foram vistas desde o início do ano, mas com um retorno rápido em meio à adoção de equipamentos de segurança e medidas preventivas. No caso de bovinos, frigoríficos reduziram as operações, em resposta à demanda enfraquecida, com unidades fora das compras e concedendo férias coletivas, o que diminui o risco de contaminação.

 

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