João Lopes

João Lopes

Graduado em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 nos mercados de Grãos e Pecuária.

Brasil registra recorde de exportações de carne bovina e suína em 2020

Ritmo de embarques inicia 2021 mais fraco, mas perspectivas ainda são positivas.

O último ano foi um período favorável para as exportações de carne vermelha pelo Brasil. Segunda dados do MDIC, foram embarcadas 1,7 milhão de toneladas de carne bovina in natura e 901,1 mil toneladas da proteína suína in natura pelo país. Esses valores representam crescimentos anuais de, respectivamente, 9,9% e 37,2%, além de serem os maiores volumes já exportados pelo Brasil em um ano.

No caso da carne bovina, mesmo com a expressiva queda nas aquisições de importantes importadores, como Egito, Chile, Rússia, Arábia Saudita e Filipinas, que em conjunto, compraram 175,3 mil toneladas a menos da proteína em comparação com 2019, as exportações brasileiras avançaram significativamente em 2020.

Esse crecimento ocorreu função da maior importação chinesa, que avançou para 868,7 mil toneladas em 2020, o que significa um aumento de 74,5% em comparação com o ano anterior. Com volume embarcado de 370,9 mil toneladas acima do registrado em 2019, a contração das compras dos demais países foi compensada.

Exportações brasileiras de carne bovina in natura (mil toneladas)

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

Além do expressivo fortalecimento do dólar frente ao real observado no último ano, o que tornou a proteína brasileira mais atrativa para o país asiático, outro fator fundamental para o desempenho dos embarques brasileiros foi a intensa contração do rebanho chinês de suínos, ocorrida em função da Peste Suína Africana (PSA). Desse modo, com um rebanho enxuto e a consequente menor disponibilidade de proteína no país, o governo da chinês precisou recorrer mais intensamente ao mercado externo para recompor seus estoques e garantir a oferta na China , o que favoreceu aos embarques brasileiros de carne.

Outra questão que tornou a proteína brasileira mais competitiva no mercado internacional, principalmente na Ásia, foram os incêndios na Austrália no final de 2019. Com a forte queda na produção australiana e, consequentemente, o encarecimento da proteína produzida pelo país, parte da carne que era importada da Austrália passou a ser adquirida de outros países.

Ainda em relação a Austrália, outro fator que beneficiou os embarques brasileiros foi a deterioração da relação diplomática entre o país e a China. No último ano, o gigante asiático suspendeu a importação de carne bovina de seis frigoríficos australianos.

No caso da carne suína, a demanda chinesa também  foi o principal destaque. Os embarques para o país do leste asiático alcançaram um volume de 247,5 mil toneladas, o que representa um crescimento de 98,8% no comparativo anual.

Vale ressaltar algumas variações nas compras de outras localidades. Emirados Árabes Unidos e Vietnã elevaram suas compras em, respectivamente, 17,2 mil toneladas (49,1%), para 52,1 mil toneladas, e 25,9 mil toneladas (205,8%), para 38,5 mil toneladas. Por outro lado, as importações russas despencaram, passando de 35,5 mil toneladas em 2019 para 0,1 mil toneladas em 2020, o que representa uma contração de 99,7%.

Exportações brasileiras de carne suína in natura (mil toneladas)

Fonte: MDIC. Elaboração: StoneX.

No início deste mês, foram divulgados os dados detalhados de exportação do Brasil em janeiro de 2021. No último mês, o país exportou 107,3 mil toneladas de carne bovina e 55,8 mil toneladas de carne suína. Esse volumes representam recuos de, respectivamente 8,2% e 5,8% em comparação com janeiro de 2020.

Essas contrações foram provocadas, principalmente, por um menor ímpeto de compra por parte de Hong Kong. A cidade-estado asiática importou 10,6 mil toneladas de carne bovina e 4,7 mil toneladas da proteína suína. Desse modo, as exportações para Hong Kong recuaram, respectivamente, 35,7% e 51,8% no comparativo anual.

Nesse início de ano, a China importou elevados volumes das duas proteínas. Os embarques de carne bovina para o país totalizaram 61,9 mil toneladas em janeiro, contra 53,1 mil toneladas no mesmo período do ano anterior, o que representa um avanço de 16,5%. Os embarques de suínos chegaram a 31,8 mil toneladas, apresentando um avanço de 6,1% no comparativo anual.

Apesar do início de 2021 ter apresentado um menor ritmo nas exportações, as expectativas ainda apontam para um forte volume de embarques. A produção de suínos na China está em processo de recuperação e, portanto, para que o nível de produção de carne suína pré-crise seja alcançado novamente, será necessário um tempo considerável. Assim, pode-se esperar que o país deva continuar importando consideráveis volumes de proteína animal neste ano.

 

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