Custo da alimentação prejudica cenário para confinamento em 2018

Segundo dados do Sindirações, o milho e o farelo de soja representam cerca de 54% dos insumos utilizados para a alimentação de gado de corte no Brasil. Logo, os preços destes macronutrientes compõem parte considerável do custo com nutrição do rebanho. Desta forma, as cotações também ganham importância durante a tomada de decisão sobre o confinamento, visto que neste regime a alimentação é feita a partir de ração e silagem; ao contrário do regime extensivo no qual a maior parte da nutrição é baseada em pastagens.

Participação de macronutrientes na ração de gado de corte no Brasil (%)

Fonte: Sindirações. Elaboração: INTL FCStone.

Com o fim da temporada de chuvas em abril e maio, que acarreta menor oferta de pastagens, o mercado pecuário começa se posicionar para o início do confinamento, e o atual patamar da cotação do milho e do farelo de soja não são animadores. O preço do milho em Dourados-MS atingiu, na segunda semana de maio, R$583/toneladas (aproximadamente R$35/saca). O patamar representa um aumento de 43% no ano e é o maior visto desde a quebra da safrinha em 2016. Atualmente, o cereal recebe suporte do clima seco verificado em abril e na primeira quinzena de maio em importantes estados produtores de segunda safra, como o PR e o MS. Já o farelo de soja chegou a R$1.300/tonelada na região, alta de 32% no ano com o mercado ainda sentindo os reflexos da quebra da safra de soja na Argentina, país que é o principal exportador mundial de farelo.

Cotação de milho e farelo de soja em Dourados-MS (R$/tonelada)

Fonte: FNP e INTL FCStone. Elaboração: INTL FCStone.

Com o encarecimento dos insumos, já se espera que o total de cabeças de gado confinadas no Brasil esse ano caia em comparação com 2017. Este movimento foi observado em 2016, quando, segundo o FNP, o confinamento se reduziu para 3.804 mil cabeças frente às mais de 4.000 mil cabeças confinadas em 2015, uma redução considerável de 5,1% na comparação anual. Na época, o custo do milho também foi referenciado como o principal fator para o recuo do confinamento, e considerando o atual patamar dos preços do cereal não será surpresa caso o cenário se repita.

Variação anual do rebanho em confinamento convencional e do indicativo de preço CEPEA do milho (%)

Matéria escrita por João Macedo, colaborador INTL FCStone até janeiro de 2019.

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