Leonel Oliveira Mattos

Leonel Oliveira Mattos

Analista de Câmbio da Equipe de Inteligência de Mercado da StoneX. Formado em Ciências Econômicas pela Unicamp, Leonel é mestre em Desenvolvimento Econômico pela mesma instituição.

Dólar fecha em alta, cotado a R$5,04

O desempenho dos ativos domésticos foi negativamente impactado por ruídos políticos vindos de Brasília, e a taxa de câmbio desta quinta-feira (1º) sofreu desvalorização de 1,4%, encerrando a sessão cotada a R$5,045. O mercado de moedas reagiu aos desdobramentos de denúncias de propina e irregularidades nos processos de aquisição de vacinas pelo Ministério da Saúde e acompanhou a tendência de valorização da divisa americana no exterior enquanto aguarda a divulgação dos dados de emprego nos EUA amanhã.

DÓLAR À VISTA – INTRADAY (10 MINUTOS)
Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Os olhares dos investidores estiveram atentos às denúncias e discussões na CPI da Covid-19 do Senado. Esta manhã, o policial militar Luiz Dominguetti, que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, reforçou ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose em troca de contrato de venda de vacinas AstraZeneca para o Ministério da Saúde. A propina teria sido pedida pelo ex-diretor de Logística do Ministério, Roberto Ferreira Dias. Dominguetti também acusou o deputado Luis Miranda (DEM-DF) de tentar intermediar a compra de vacinas, e foi confrontado pelo parlamentar. Como resultado, a CPI decidiu apreender o celular do policial para aprofundar as investigações. Na semana anterior, Miranda já havia afirmado à CPI que teria alertado pessoalmente o presidente Jair Bolsonaro sobre possíveis irregularidades para o processo de compra da vacina Covaxin no mês de março.

A instabilidade no cenário político, como um todo, aumenta a incerteza do ambiente de negócios e pode resultar na exigência de maiores prêmios de risco por parte dos investidores. Como consequência, a atratividade da moeda brasileira pode ser afetada negativamente.

O Ministério da Economia divulgou mais cedo que o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 37,5 bilhões nos primeiros seis meses do ano, recorde para um primeiro semestre, elevando-se 68% sobre o saldo do mesmo período de 2020, quando comparado pela média diária. O recorde anterior havia sido atingido no primeiro semestre de 2017, de US$ 31,9 bilhões. As exportações também atingiram o maior valor para o período da série do governo, iniciada em 1997, impulsionadas pelo aumento dos preços de commodities e pela maior demanda global em meio à retomada da pandemia. O saldo comercial e as exportações de junho também foram recordes para todos os meses da série do governo, registrando, respectivamente, US$ 10,4 bilhões e US$ 17,7 bilhões.

Um dia antes da divulgação do relatório de junho sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, o número de pedidos de novos auxílios-desemprego continuou em queda, reforçando os indícios de que o mercado de trabalho americano está se recuperando. Segundo o Departamento de Trabalho, os pedidos iniciais do benefício foram reduzidos em 51 mil na semana encerrada em 26 de junho, totalizando 364 mil, abaixo da mediana das expectativas dos analistas. Ao mesmo tempo, as demissões despencaram para o menor patamar em 21 anos para o mês de referência.

Também nesta quinta, o Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) divulgou o índice composto da atividade manufatureira com ligeira redução, de 61,2 pontos em maio para 60,6 pontos em junho. Foi o primeiro recuo em sete meses. A pesquisa ressaltou que as empresas entrevistadas estão com dificuldades para acompanhar os níveis mais elevados de demanda. “Tempos de espera recordes para matérias-primas, uma ampla escassez de materiais críticos, preços crescentes de commodities e dificuldades em transportar produtos continuam a afetar todos os setores da manufatura”, avaliou Timothy Fiore, presidente do ISM.

Por fim, a IHS Markit divulgou hoje o PMI da indústria para os EUA, que se manteve estável em 62,1 pontos para o mês de junho, abaixo das expectativas de analistas de mercado, que apontavam uma alta para 62,6 pontos. O dólar continuou seu movimento de valorização hoje frente a várias moedas pares do real, como o peso chileno, o peso colombiano, o peso mexicano, o rand sul-africano e o rublo russo. O dollar index se elevou pela sétima sessão consecutiva, encerrando o dia em 92,6 pontos, alta de 0,2%. O Índice de Moedas Emergentes do J.P. Morgan encerrou o dia em queda de 0,5%.

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