Leonardo Rossetti

Leonardo Rossetti

Formado em Ciências Econômicas pela UNICAMP, trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, atuando nas análises sobre os mercados de café, cacau, câmbio e macroeconomia.

Brasil registra recorde de exportações de café em 2020

Menores volumes de chuva previstos para o restante de janeiro no Brasil elevaram a apreensão do mercado quanto à safra 2021/22

Os papeis futuros de café se valorizaram nas últimas semanas em suas principais bolsas de negociação. As altas foram impulsionadas por um lado pelas preocupações com relação ao clima no Brasil, por compras técnicas de fundos especulativos e por novas estimativas no mercado de forte queda da produção brasileira de arábica. Por outro lado, os preços também foram favorecidos pela conjuntura macroeconômica, que contou com uma alta do complexo de commodities como um todo e com o fortalecimento do real frente ao dólar.

Em nova Iorque (ICE), o contrato com vencimento mais próximo, em março/21, encerrou a semana cotado a US¢ 128,15/lb, em avanço de 445 pontos (3,6%) em relação ao fechamento do período anterior. No Intradia da sexta-feira (15), as forças compradoras, impulsionadas por operações técnicas, chegaram a buscar máximas de US¢ 131,6, maiores patamares atingidos desde meados de setembro, mas não conseguiram se sustentar nestes valores devido à forte resistência verificada no nível de US¢ 130,00/lb.

Na ICE em Londres, onde as cotações do café robusta seguem em patamares historicamente bastante baixos, compras técnicas e os ganhos no terminal americano contribuíram para que o contrato equivalente interrompesse uma sequência de 7 pregões em queda e revertesse para tendência altista na segunda parte da semana, encerrando a sexta-feira cotado a USD 1353/t, em alta de 2,7%.

Intraday semanal (Contrato mais ativo)  – 11/01 a 15/01

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

As preocupações com relação à safra brasileira de 2021/22 e o clima brasileiro continuam como principal driver para as tendências de curto-prazo do mercado. Apesar de um consenso de que a próxima produção brasileira de café arábica deve sofrer reduções significativas, acredita-se que um retorno de volumes mais robustos de chuvas nas principais regiões produtores pode amenizar os danos da seca do segundo semestre de 2020.

Após a presença de bons níveis de precipitações em importantes regiões para a produção de café arábica, como oeste de Minas Gerais e São Paulo, terem proporcionado quedas nas cotações na semana anterior, as previsões de que a próxima semana deve contar com volumes bastante modestos, atuou como principal fator altista para as cotações. Indo mais adiante, as previsões de ausência de chuvas para o restante do mês em grande parte da região superior do cinturão cafeeiro, afetando áreas tanto de produção de café arábica quanto de robusta, como a Zona da Mata, Espírito Santo sul da Bahia, deve figurar como fator de apreensão ao mercado, especialmente em caso de relatos de estresse hídrico mais intenso nas lavouras.

Previsão de precipitação no Brasil

Fonte: StoneX, com dados fornecidos pela NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.

A última atualização dos estoques de café nos Estados Unidos, divulgados na última sexta-feira pela Green Coffee Association (GCA), mostrou que o país encerrou o último mês de dezembro registrando um total de 5,978 milhões de sacas em seus portos. O número representa um avanço de 2,9% dos estoques em relação a novembro, no entanto, uma retração de 12,1%, ou 826 mil sacas com relação ao mesmo mês em 2019, e ficando 6% abaixo da média para dezembro nos últimos 5 anos. O aumento dos estoques em não necessariamente indica uma queda do consumo, uma vez que ocorre após uma sequência de 5 meses seguidos de bruscas quedas, e pode estar relacionada a uma elevação nas importações dos Estados Unidos de café do Brasil no mês, como será mostrado na próxima matéria.

As cotações para o café robusta, que em partes acompanharam as movimentações do café arábica na semana, iniciaram a semana de negociações exibindo quedas, com o terminal americano fechado devido ao feriado de Dia de Martin Luther King Jr. Os produtores do Vietnã, que a esta altura já realizaram boa parte da colheita da sua atual safra, continuam apresentando dificuldades com os baixos preços no mercado domésticos, com a demanda mais fraca e as dificuldades para exportação devido à falta de contêineres que diversos países enfrentam, reflexo dos impacto da pandemia da Covid-19 na logística do comércio na região.

A aproximação do feriado do ano novo lunar, festival comemorativo mais importante para o Vietnã e diversos países asiáticos, que ocorrerá no dia 12 de fevereiro, tende a aquecer as negociações tanto no mercado local quanto nas exportações nas próximas semanas, o que pode trazer uma nova pressão baixista para os preços do café robusta na bolsa.

Brasil registra volume recorde de exportações de café em 2020

O Cecafé publicou nesta segunda-feira (18) seu relatório mensal de dezembro, em que confirmou um volume exportado de 4,3 milhões de sacas no último mês do ano, uma alta de 38,6% em relação ao mesmo mês de 2019. Com isso, o Brasil registrou novo recorde para as exportações em um ano, com um acumulado de 44,5 milhões de sacas de café exportadas em 2020, um crescimento de 9,4% ante o ano anterior.

Do total exportado em dezembro, o volume de café arábica, com 3,526 milhões de sacas, registrou crescimento de 46,3% ante o mesmo mês de 2019, enquanto os envios de café robusta avançaram 10,1%, com 380,7 mil sacas exportadas. O total do mês também conta com351 mil sacas de café solúvel, e 1,4 mil sacas de café torrado.

Considerando o acumulado do ano, o Brasil elevou suas exportações em quase todas as variedades, ao exportar 35,5 milhões de sacas de café arábica (+8,4% a.a.), 4,9 milhões de sacas de café robusta (+24,3% a.a.), 4,1 milhões de sacas de café solúvel (+2,4% a.a.) e 23 mil sacas de café torrado (-10,2%), único que registrou retração em relação a 2019. As altas são frutos da sacra recorde de 2020/21, estimada em 65,1 milhões de sacas pela equipe de café da StoneX.

Volume e participação no total dos principais destinos das exportações brasileiras de café (milhões de sacas)

Fonte: Cecafé.

O Cecafé destaca que apesar das complicações do cenário da pandemia da Covid-19 no mundo, o país registrou crescimento nas exportações para todos os continentes, grupos e blocos econômicos. Entre os principais destinos das exportações brasileiras no ano, ficaram Estados Unidos, com 8,1 milhões de sacas (18,3% do exportado), seguido de Alemanha, com 7,6 milhões (17,1%), Bélgica, com 3,7 milhões (8,4%), Itália, com 3 milhões (6,8%) e Japão, com 2,4 milhões (5,4%). Destes, registraram aumento com relação a 2019 os Estados Unidos (3,1%), Alemanha (12,2%) e Bélgica (48,45%), com recuonos envios para a Itália (-16,1%) e Japão (-8,8%).

É notável também o resultado da receita cambial total do ano de aproximadamente R$ 29 bilhões (US$ 5,63 bilhões), um expressivo avanço de 44,1% em relação aos R$ 20,2 bilhões (US$ 5,11 bilhões) do ano anterior. O grande aumento dos ganhos dos produtores e exportadores foram proporcionados fundamentalmente pela  forte desvalorização da moeda brasileira ao longo do ano. As elevadas receitas podem indicar também uma maior capacidade de investimentos nas lavouras no longo-prazo.

Evolução do volume e receita cambial das exportações brasileiras de café

Fonte: Cecafé.

Preços domésticos seguem avançando em 2021

Os preços domésticos ampliam a trajetória altista iniciada em meados de outubro do último ano. Após encerrar 2020 próximo dos patamares de R$ 600/saca, a apreciação do dólar ante ao real, o mercado cambial bastante volátil e o retorno de maiores volumes de compra no mercado contribuíram para que os preços domésticos buscassem patamares ainda maiores. Segundo o indicador CEPEA/ESALQ para o café arábica do tipo 6, bebida dura para melhor, posto em São Paulo, o café arábica terminou a última semana cotado a R$651,99/saca, avanço de 4,2% com relação à semana anterior, quando encerrou a R$ 625,7/saca.

O café robusta também mantém a tendência altista, apesar dos ganhos mais modestos. O Indicador CEPEA/ESALQ para a variedade do tipo 6, peneira 13 ou acima, encerrou a sexta-feira com ganho semanal de 0,4%, cotado a R$ 416,3/saca.

Em vista do momento com menos fundamentos no mercado, as variações do par USDBRL devem continuar tendo importante influência tanto nas cotações nas praças quanto nas bolsas. Entre os principais fatores externos que podem pesar no mercado cambial brasileiro, o endurecimento das medidas de isolamento nas principais economias globais e o cenário político nos Estados Unidos, com atenções voltadas para a possibilidade de conflitos durante a cerimônia de posse de Joe Biden e Kamala Harris na quarta-feira (20), podem elevar a busca global pela segurança e liquidez do dólar e prejudicar o desempenho de moedas de economias emergentes.

Já entre os fatores internos, as atenções estarão voltadas também na quarta-feira (20), quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central publicará no final do dia a Decisão de Política Monetária. Caso os membros do Comitê sinalizem avanço nas conversas a respeito do encerramento do forward guidance e deem novas pistas acerca de uma elevação da Selic dentro dos próximos meses, a divisa brasileira pode ganhar espaço para novos avanços na semana, podendo ser favorecida também pelo início do programa de vacinação no país.

 

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