Fernando Maximiliano

Fernando Maximiliano

Engenheiro Agrônomo formado pelo Instituto Federal do Espírito Santo. Participante do Brazilian Scientific Mobility Program (BSMP) na Oregon State University, Estados Unidos. Possui experiência em pesquisa e análise de mercado. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil com foco em Café.

A estimativa do USDA para a produção brasileira de café em 2019/20 é aproximadamente 19% superior à estimativa da CONAB

Houve grande controvérsia a respeito da precisão dos dados sobre a produção brasileira de café, com estimativas bastante divergentes de inúmeras fontes inundando o mercado.

O USDA é visto como uma fonte confiável para as estimativas da produção de café. Em uma entrevista com membros do USDA no Brasil, a agência explicou que os dados usados nos relatórios de produção divulgados pela entidade são procedentes de visitas realizadas às regiões produtoras, além de informações obtidas de traders, agências governamentais, associações de produtores, consultores etc.

“O USDA tem melhorado a precisão e mantido a credibilidade através da sua consistência,” afirmou um representante da unidade do USDA no Brasil. “Sempre reportamos a produção total e a demanda para três anos consecutivos, monitorando de perto a indústria do café e conduzindo visitas de campo regularmente.”

Quando questionado sobre a possibilidade de o USDA trabalhar com algumas organizações brasileiras como a CONAB na coleta de dados, a fim de atingir uma estimativa de colheita mais consistente, o representante lembrou que seus colegas do Serviço Nacional de Estatística Agrícola (NASS na sigla em inglês) possui “um ótimo relacionamento com a CONAB, e uma iniciativa de cooperação/colaboração já foi discutida anteriormente; no entanto, ainda não foi implementada.”

No dia 17 de setembro a CONAB divulgou o relatório da sua terceira pesquisa sobre a safra 2019/20 no Brasil, estimando uma produção total de 48,99 milhões de sacas, das quais 34,47 milhões de sacas de café arábica e 14,52 milhões de sacas de café robusta.

Enquanto o USDA e CONAB “trabalham em estreita colaboração,” existe ainda uma diferença de quase 10 milhões de sacas de café nas estimativas das duas entidades, onde a publicação mais recente do USDA fornece uma estimativa 18,6% maior que a estimativa da CONAB.

As duas estimativas para a produção de café arábica apresentam uma diferença de 5,52 milhões de sacas, com a estimativa do USDA para esta variedade 15% acima da estimativa da CONAB. Para o café robusta, a estimativa do USDA é quase 25% superior à estimativa da CONAB, com uma diferença de 3,58 milhões de sacas.

É importante lembrar que a CONAB divulgará os dados da sua pesquisa final da safra brasileira de café em 2019/20, no dia 17 de dezembro.

Será que a revisão do USDA para o balanço de oferta e demanda de café refletirá um déficit do produto?

O USDA começou a divulgar os relatórios “Attache” antes do relatório semestral sobre o café no mundo, o qual deve ser divulgado em 13 de dezembro. Até o momento, o USDA reduziu sua estimativa para as safras 2019/20 brasileira e indiana em 1,3 milhões e 400 mil sacas respectivamente. Por outro lado, a estimativa para a produção de café na Indonésia continua inalterada, em 10,7 milhões de sacas. Já o relatório sobre a produção de café no Vietnã e na Colômbia deve ser divulgado nos próximos dias.

Isto pode indicar que a estimativa da produção global de café do USDA poderia ser reduzida em pelo menos 1,7 milhões de sacas, caso não haja um aumento nas estimativas de produção na Colômbia e no Vietnã.

Atualmente, o USDA é a única organização que projeta o ano safra 2019/20 com uma superoferta de café. Em junho, a entidade estimou a produção global em 169,1 milhões de sacas, ultrapassando a demanda em 1,2 milhões de sacas. No entanto, muitas outras estimativas concluíram que o ano-safra 2019/20 teria um déficit no balanço de oferta e demanda.

Uma redução na estimativa da produção em 1,7 milhões de sacas em 2019/20,  modificaria o balanço de oferta e demanda do USDA de um excedente em oferta de 1,2 milhões de sacas para um déficit de 500 mil sacas.

Por Alexis Rubinstein (Coffee Network – Nova Iorque)

Traduzido por Fernando Maximiliano

Facebook
Google+
Twitter
LinkedIn

Veja também

O que é a moratória da soja?

No ano de 2006, o Greenpeace publicou um relatório que apontava para a expansão da cultura de soja na região da Amazônia…

Teste já!

Experimente nossa plataforma de relatórios gratuitamente

Relatórios periódicos aprofundados

Carrinho Item removido. Desfazer
  • Sem produtos no carrinho.