Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Processamento de cacau recua 1,3% na América do Norte

Na quinta-feira (18/01), após o fechamento do pregão, a Associação Nacional de Confeiteiros (NCA) dos Estados Unidos divulgou o volume de cacau processado pela indústria da América do Norte durante o quarto trimestre de 2017, mostrando uma queda de 1,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior, para 116.080 toneladas de amêndoas. Assim como no ano anterior, a NCA recebeu dados de 17 plantas, de 9 diferentes empresas. No total, essas plantas representam cerca de 95% da capacidade de moagem de cacau dos Estados Unidos, Canadá e México.

A demanda por cacau para processamento no continente ficou abaixo que o mercado estimava, tendo agido de maneira baixista aos preços na sexta-feira. Segundo uma pesquisa da Bloomberg, traders e outros agentes do mercado esperavam um alta anual de 2,5%. Outra pesquisa, conduzida pela Reuters, indicava expectativas de alta de 1% a 3%. A principal razão para as expectativas otimistas era a elevada margem de lucro de transformação do cacau em seus produtos intermediários nos Estados Unidos. Para a média do trimestre, essa margem era estimada pela INTL FCStone em cerca de 28,3%, contra 23,6% no período imediatamente anterior e de 17,1% no quarto trimestre de 2016. Outro motivo era a elevada disponibilidade de amêndoas, com os estoques em armazéns certificados nos Estados Unidos somando 298,3 mil t de cacau no início de outubro, 57,4% a mais que no ano anterior. Com a queda no último trimestre, a moagem acumulada de cacau em 2017 na América do Norte recuou 0,1% em relação ao ano anterior, somando 484.620 toneladas.

Outras regiões

Apesar do fraco processamento na América do Norte, as demais regiões do globo cujas associações locais já divulgaram seus dados para o quarto trimestre comprovam a tese do mercado de crescimento internacional da demanda por cacau. Como discutido no último Relatório Semanal de Cacau, na última segunda-feira (15/01), a Associação Europeia de Cacau (ECA) divulgou que seus participantes ampliaram sua moagem de amêndoas em 4,4% em comparação com os últimos três meses de 2016, para um total de 353.286 toneladas, superando as expectativas do mercado de um crescimento de 3,4%. Importantes países consumidores também registraram altas anuais no processamento. Na Costa do Marfim, a GEPEX afirmou ter moído 124 mil t no trimestre, avanço de 2,5%; no Brasil, a AIPC diz ter esmagado um total de 60,3 mil t de amêndoas, alta de 1,5%; e na Malásia, segundo a LKM, foram processadas um total de 59,1 mil t de cacau, avanço de 3,7%. A divulgação dos números consolidados da Associação de Cacau da Ásia (CAA), que inclui plantas da Malásia, Indonésia e Singapura, foi postergada do dia 18/01 para uma data não determinada.

Perspectivas

As perspectivas permanecem otimistas para a demanda de cacau para processamento no primeiro trimestre de 2018, apesar da tendência sazonal de redução nesse período. Maior crescimento econômico mundial tem incentivado o consumo de chocolates e outros produtos derivados do cacau. O maior nível de atividade das fábricas de confeitaria, para atender essa demanda, mantém os preços dos produtos intermediários (licor, manteiga e pó) relativamente elevada, enquanto que o valor da amêndoa é pressionado por sua elevada produção mundial. Assim, as margens das processadoras seguem firmes. Na Europa, maiores consumidores de cacau do mundo, a demanda também é incentivada pela valorização cambial, que torna as importações mais baratas. Em 2017, o euro, a libra esterlina e o franco suíço se valorizaram, respectivamente, 14,1%, 9,5% e 4,5% em relação ao dólar.

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