Futuros do cacau encerram 2018 com amplos retornos anuais

Apesar de fechar o ano em alta ao contrário da maioria das commodities e demais classes de ativos, volatilidade elevada permanece como característica do cacau

Após dois anos de retração, os preços internacionais do cacau encerraram 2018 acumulando ganhos significativos na comparação ano a ano: no último dia do ano, a cotação da segunda tela da amêndoa em Nova York era de USD 2.249/t, ante USD 1.935/t em primeiro de janeiro — o que corresponde a um avanço de 16,2%.

Em Londres, o contrato equivalente registrou valorização de 26,6%, de GBP 1.409/t para GBP 1.785/t.

Com efeito, no ano passado os derivativos do cacau constituíram a classe de ativos com uma das melhores performances nos mercados futuros, sobretudo quando comparada com as demais commodities agrícolas.

Enquanto o mercado de ações e outros ativos de risco foram atingidos por temores de desaceleração do crescimento global e a guerra comercial entre EUA e China, os preços do cacau tiveram um aumento devido ao acirramento do balanço entre oferta e demanda da amêndoa, em meio a uma expansão da produção ameaçada por reduzidos níveis de investimento e fatores climáticos adversos e forte demanda, impulsionada principalmente pelos baixos preços dos últimos anos e elevadas margens de processamento na Europa e nos Estados Unidos.

Em 2018, ao passo que os preços do cacau apresentaram crescimento de 27,8%, trigo e milho (únicas commodities agrícolas que também variaram positivamente ano passado) expandiram, respectivamente, 18,9% e 7,1%. Por outro lado, soja (-6,3%), algodão (-7,7%), açúcar (-18,9%) e café (-20,1%) acumularam perdas no último ano. Ainda, em 2018 o índice CRB Commodity recuou 12,5, o S&P GSCI Agriculture 8,8% e o índice Dow Jones 6,4%, movidos pelo cenário de incerteza no cenário macroeconômico global.

Volatilidade permanece como marca dos preços do cacau

A despeito de acumular ganhos anuais, os preços do cacau apresentaram intensa volatilidade ao longo do ano — comportamento típico para a amêndoa. As cotações iniciaram 2018 em forte alta, atingindo as máximas do ano ainda no segundo trimestre: em maio, a segunda tela da amêndoa chegou a USD 2.913/t em NY e GBP 1.946/t em Londres.

Esse rally no início do ano foi motivado, sobretudo, pela visão de um balanço apertado para a temporada.

Contudo, a partir de maio, teve início uma tendência majoritariamente baixista para os contratos de cacau, intercalada por alguns curtos movimentos de alta.

A perspectiva bearish, justificada por sinais de ampla oferta e aumento da aversão ao risco nos mercados financeiros globais, perdurou até meados de outubro, quando as cotações atingiram os menores valores desde fevereiro: USD 2.012/t em NY e GBP 1.492/t em Londres.

Por fim, os preços do cacau verificaram uma recuperação no final do ano, principalmente neste último mês. Apenas em dezembro, a amêndoa avançou 10,7% em NY e 10,2% em Londres, movimento explicado por indícios de uma demanda significativa para a temporada 2018/19 e preocupações acerca da disponibilidade da safra atual, em meio à elevação da probabilidade de ocorrência do El Niño no primeiro trimestre de 2019 (que prejudica a produção de cacau na África Ocidental), dificuldade de financiamento de empresas exportadoras na Costa do Marfim e fraco início de safra no Brasil.

Como resultado, a volatilidade implícita dos contratos futuros do cacau permaneceu elevados ao longo do ano todo, superiores inclusive ao índice de volatilidade da Chicago Board Options Exchange (CBOE), que mensura a expectativa do mercado em relação à volatilidade no curto prazo.

Em 2018, a média da volatilidade dos contratos do cacau foi de 29,92 em NY e 23,97 em Londres, enquanto a média do VIX CBOE no mesmo período foi de 16,63.

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