Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Entregas de cacau na Costa do Marfim aceleram

A semana de volta do feriado de ano novo apresentou um baixo volume de negociações no mercado de derivativos de cacau. Apesar de terem apresentado volatilidade relativamente elevada durante o período, as cotações encerram a semana com baixa variação em relação à anterior: em Nova York (ICE), a tela de março/18 avançou 0,2% para USD 1895/t, e em Londres (ICE Europe), o contrato equivalente recuou 1,0%, para GBP 1364/t. O início de 2018 foi marcado pela ascensão de um sentimento baixista no mercado derivado das estatísticas de chegadas de cacau aos portos da Costa do Marfim, país que representa cerca de 40% da produção mundial de cacau.

Apesar de ainda se encontrar defasada em relação à temporada 2016/17, as entregas de amêndoas aos portos do país da África Ocidental aceleraram significativamente nas últimas semanas de 2017, encerrando o primeiro trimestre da safra 2017/18 com um acumulado de 841 mil t, 6,0% menos que em 2016/17. No dia 07/01, as entregas já somavam 919 mil t, reduzindo o atrasado para somente 4,5%.

Dados preliminares dos portos mostram que entre outubro e novembro a Costa do Marfim exportou 170 mil t de cacau, 18,0% acima do mesmo período de 2016. No ciclo anterior, apesar do ritmo acelerado de entregas nos portos, diversos fatores atrasaram as exportações, incluindo calotes de exportadores que não haviam fixado seus preços antes da intensa retração das cotações internacionais no período. Algo semelhante não deve ocorrer em 2017/18.

Há relatos de que os atrasos nas exportações do ciclo passado foram parcialmente responsáveis por uma perda de qualidade das amêndoas, que apresentaram uma menor concentração de gordura. O menor nível de extração de manteiga de cacau, somado a forte demanda pelo produto secundário, impulsionou seu ratio ao longo de 2017 para um máximo de 2,98 na costa leste dos Estados Unidos, seu maior valor desde setembro de 2013.

A alta nas exportações de amêndoas da Costa do Marfim também não é um resultado de uma queda no processamento no país, uma vez que as vendas externas dos produtos secundários e finais também superam as do ano passado: foram 70,6 mil t exportadas no primeiro bimestre da temporada 2017/18, 14,4% acima do mesmo período do ciclo passado. As altas margens de moagem continuam a incentivar a atividade dos processadores.

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