Leonardo Rossetti

Leonardo Rossetti

Graduando em Ciências Econômicas pela UNICAMP. Integra o time da Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2019 com foco na área de café e cacau.

Cotações tem resultados mistos após moagens trimestrais fracas

Em semana da divulgação das moagens do segundo trimestre no mundo, as cotações reagiram de forma mista. Em Nova York (ICE), o contrato com vencimento em setembro/20 encerrou a sexta-feira (17) cotado a USD 2.169/tonelada, um avanço de 0,4% com relação ao fechamento da semana anterior. Apesar dos avanços do vencimento de setembro, os contratos com vencimentos seguintes recuaram, tornando os spreads quase nulos até a tela de julho/21.

Em Londres (ICE Europe), a tela de setembro/20 recuou 1%, terminando a semana cotada a GBP 1563/tonelada. Esta foi a décima semana seguida de quedas dos preços do cacau no terminal europeu, que vem praticando seus menores patamares em quase 2 anos.

Os resultados das moagens foram o principal foco do mercado. Apesar da estabilidade das moagens na Costa do Marfim, as quedas nos números de Brasil e Malásia, divulgadas na segunda-feira (13), já sinalizavam que o resultado das principais regiões poderia ser de consideráveis retrações. Os recuos pouco acima do esperado por analistas na Europa e América do Norte, foram compensados com números melhores que as expectativas na Ásia, que contribuiu para equilibrar as reações das cotações no final da semana. Todavia, os resultados confirmam as expectativas de demanda significativamente impactada.

Intraday semanal (setembro/20) – 13/07 – 17/07

Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

As expectativas de produção em geral favoráveis à próxima safra, o que aponta para um balanço de O&D mais folgado na temporada 2020/21, têm contribuído para o cenário predominantemente baixista dos preços. Os reportes climáticos da última semana na Costa do Marfim, que informaram chuvas abaixo das médias na maior parte da região produtora pela segunda semana seguida, podem oferecer algum suporte às cotações. O tempo nublado também é um fator de atenção, pois uma alternância entre chuva e de sol seria o cenário mais favorável ao desenvolvimento dos cacaueiros.

Além disso, na última semana a Nigéria, quinto maior produtor global, reduziu suas estimativas da produção da sua safra 2019/20 de 181 mil toneladas para 149 mil, devido à parte das plantações terem apresentado a podridão-parda, uma doença fúngica que pode causar perdas de até 30% da produção dos cacaueiros afetados.

Moagens globais caem no segundo trimestre

Os resultados das moagens nas principais regiões do mundo no segundo trimestre de 2020, publicados na última semana, confirmaram as expectativas de retração no processamento, refletindo a queda da demanda provocada pela pandemia da COVID-19.

A National Confectioners Association (NCA), dos Estados Unidos, publicou que suas indústrias processadoras associadas moeram 110.776 toneladas de cacau no trimestre encerrado em junho, uma queda de 10,7% com relação a trimestre equivalente de 2019, ficando acima da projeção de analistas de baixa de 8% para a região. As pesquisas realizadas pela NCA contam com 18 fábricas de 10 diferentes empresas nos Estados Unidos, Canadá e México, e vêm registrando frequentes retrações em seus resultados. Isso ocorre pela tendência que a região apresenta há alguns anos de migração das empresas para a África Ocidental, no intuito de baratear seu processo ao moer o cacau nas origens para exportar os produtos secundários, e realocação também para a Ásia, considerado atualmente o mercado com maior potencial de crescimento. Os consumidores norte-americanos também têm reduzido seu consumo de chocolates, muitas vezes associados à problemas de saúde devido a sua alta concentração de açúcar, o que no longo prazo tem desacelerado o crescimento do consumo. Todavia, os impactos bastante fortes na economia dos Estados Unidos seguem como o fator fundamental para a forte queda na demanda por derivados.

Processamento de cacau no 2º trimestre de 2020

Fonte: Gepex, Cacauth, LKM, BDSI, ECA, NCA, CAA. Elaboração: StoneX.

A Europa, principal região consumidora de derivados do cacau, também registrou importantes quedas em suas moagens. Segundo a European Cocoa Association (ECA), que compõem dados de 23 fábricas de 6 empresas ao longo do continente, o processamento total da região foi de 314.108 no segundo trimestre, recuando 8,9% em relação ao mesmo período do ano passado, quase 1 p.p. acima das projeções do mercado, que esperava queda de 8%. A demanda de chocolates na Europa foi um dos mais afetados pelos impactos econômicos gerados pela pandemia. Além da redução da renda e aumento do desemprego, que prejudicam diretamente o consumo, seu comércio foi fortemente prejudicado pelo fechamento ou queda drástica da circulação em importantes pontos de comércio, como shoppings, aeroportos e postos de gasolina. O impacto foi sentido especialmente pela linha de chocolates gourmet, mais dependente deste tipo comércio e do turismo. Com o pior período da região tendo ficado no segundo trimestre, a reabertura das economias pode permitir alguma recuperação das moagens, no entanto, as projeções de significativa retração da economia da região em 2020 devem continuar limitando a demanda.

No continente asiático, os resultados foram considerados positivos, apesar de também recuarem. A Cocoa Association of Asia (CAA), que representa as indústrias processadoras da Malásia, Singapura e Indonésia, publicou que as empresas associadas totalizaram 202.674 toneladas de amêndoas esmagadas, uma retração de 6% ante o segundo trimestre de 2019. Os resultados foram consideravelmente melhores que o esperado pelo mercado, que apostava em uma queda de 9,3%, e confirmam a recuperação mais rápida nos volumes do continente apontado por algumas processadoras. Devido ao forte crescimento do processamento na região nos últimos anos e recuperação mais rápida dos impactos da pandemia da COVID-19, a Ásia apresenta uma melhor condição para a retomada dos seus volumes. Todavia, as margens das processadoras, que influenciam bastante os esmagamentos na região, seguem como ponto de atenção, podendo prejudicar de forma mais expressiva as moagens caso recuem para níveis muito inferiores no comparativo com os outros países.

Moagens de cacau nas principais regiões globais (mil t)

Fonte: ECA, NCA, CAA. Elaboração: StoneX.

De modo geral, as moagens do mundo confirmaram as expectativas de queda na demanda global, refletindo também a tendência de queda das margens de processamento das esmagadoras. Devido à dinâmica de negócios dessas empresas, que possuem contratos pré-estabelecidos para parte de suas moagens, é possível que os números ainda não tenham refletido completamente a queda do consumo de chocolates. Por conta disso, e considerando a recuperação relativamente lenta da economia global, as perspectivas são de que demanda de derivados do cacau pelas indústrias continuem reduzidas, o que tende a resultar em menores moagens também nos próximos meses, considerando os comparativos anuais.

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