Fábio Rezende

Fábio Rezende

Possui graduação em Ciências Econômicas e especialização em Finanças Corporativas pela UNICAMP. Trabalha na divisão de Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2014.

Commodities em queda e rumores de defaults pressionam cacau

A realização de lucros de fundos resultou em uma intensa queda das cotações dos futuros do cacau. Na bolsa de Nova York, o vencimento de março/18 recuou 7,5% e encerrou a sexta-feira a USD 1887/t, e na bolsa de Londres o contrato equivalente recuou 5,4% para GBP 1409/t, atingindo os menores valores da tela. A queda foi iniciada pela liquidação de posições de fundos comprados, diante do sentimento mais baixista para as commodities. Em seguida, o rompimento de importantes suportes técnicos desencadeou um maior número de vendas, fazendo com que os futuros devolvessem os ganhos obtidos nos últimos meses.

O sentimento baixista no mercado de commodities na semana pode ser atribuído à valorização do dólar em relação às principais moedas do comércio internacional: o Dollar Index avançou 1,1% na semana, para 93,90 pontos após a aprovação das reformas fiscais propostas pelo governo Trump nos Estados Unidos. Como os preços das commodities negociadas no comércio externo são dolarizadas, a valorização da moeda americana tem um impacto baixista neles: o índice de commodities CRB recuou 2,9% na semana, para 187,81 pontos. Assim como na semana passada, perspectivas mais otimistas em relação à produção mundial de cacau na safra 2017/18 também tiveram um impacto baixista nos preços. Relatos da África Ocidental continuam a apontar para um melhor clima e bom desenvolvimento dos frutos nos cacaueiros, embora as entregas de cacau nos portos da Costa do Marfim permaneçam defasados em relação à 2016/17: no acumulado da safra, os exportadores estimam que 584 mil t foram entregues, 12% abaixo da temporada passada.

Além do sentimento no mercado de commodities e maior otimismo em relação à produção mundial, rumores de que exportadores da Costa do Marfim poderiam inadimplir contratos de compra com produtores no volume de 150 a 250 mil t também trouxeram volatilidade ao mercado de cacau. Isso aconteceria porque alguns exportadores estariam com dificuldade em obter financiamento com bancos.

Ano passado, diversos exportadores que não haviam fixado seus preços de venda descumpriram seus contratos após a forte queda dos preços internacionais. Antes do início da safra, o Conselho de Café e Cacau (CCC), que regula o mercado de cacau na Costa do Marfim, realiza leilões com os exportadores, que propõem preços e volumes que estariam dispostos a adquirir de amêndoas.

O CCC então seleciona as melhores propostas e fixa, com base nelas, um preço mínimo a ser pago aos produtores. Em 2016, diante da forte queda dos preços internacionais do cacau, exportadores que não haviam fixado seus preços de venda descumpriram seus contratos, e o CCC teve que revender os grandes estoques de cacau que acumularam nos portos. Os exportadores inadimplentes foram impedidos de participar de futuros leilões.

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