Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

PMI da indústria chinesa recua, mas fiações mantém demanda aquecida

Durante o mês de dezembro, os países do hemisfério norte devem adentrar a fase final da colheita de algodão, ao passo que os cotonicultores do hemisfério sul avaliam as condições edafoclimáticas e os preços no mercado para tomarem decisões quanto ao plantio da próxima safra. Fator-chave na determinação das cotações da pluma, as atividades da indústria têxtil, em especial da indústria asiática, são um indicador importante para analisar a demanda por algodão durante o ano-safra.

Na sexta-feira, 1º, foram publicados os resultados do Índice dos Gerentes de Compra (PMI) da indústria da China, pesquisa realizada pela Markit com apoio da agência de notícias Caixin. O índice, que considera fatores como produção, novas vendas e pessoas empregadas pelas empresas sondadas, avalia o nível de atividades da indústria local e denota uma expansão do setor quando o indicador fica acima de 50 pontos e uma contração quando abaixo dessa cifra. Com 50,8 pontos em novembro, o PMI apurado pela Markit/Caixin veio abaixo das expectativas do mercado e apresentou recuo de 0,2 pontos em relação a outubro, sendo o menor valor para o indicador em 5 meses. A pontuação levemente mais baixa decorre das dificuldades enfrentadas com a paralisação forçada das atividades industriais em algumas regiões da China, observada nos setores afetados pelas medidas de redução da poluição atmosférica durante o inverno, e do aumento dos preços de matérias-primas, impactando diretamente na manutenção do nível de empregos nas empresas, que apresenta queda sustentada há três meses.

Os 50,8 pontos de novembro, contudo, ainda sinalizam que o setor industrial se mantém em expansão, mesmo que em menor grau. Em nota oficial, a Markit/Caixin afirma que o desempenho aquecido das atividades das pequenas e médias empresas industriais têm relação direta com os investimentos em infraestrutura realizados pelo governo chinês e com o volume considerável de exportações de manufaturados. Ademais, a pesquisa indica que os resultados observados das atividades industriais até o momento devem, se repetir no último mês de 2017.

Deste modo, uma expansão das atividades industriais indica uma demanda aquecida por matérias primas, o que se estende ao setor têxtil, que tem sido beneficiado por grandes investimentos públicos-privados devido ao deslocamento do polo produtivo para a região de Xinjiang até 2030. Os impactos de tais investimentos já podem ser observados na tendência crescente da demanda por algodão para o maior nível desde a safra 2013/14, de acordo com as projeções do USDA. De acordo com os dados do Departamento Nacional de Estatísticas (NBS) da China, as fiações do país produziram em outubro um total de 3,798 milhões de toneladas de fios (incluindo fibras sintéticas), 1,6% acima do mês imediatamente anterior. Na média mensal de janeiro a outubro deste ano, o setor produziu cerca de 3,637 milhões de toneladas, 2,6% acima da média mensal dos mesmos meses de 2016.

A colheita de algodão na China se iniciou na segunda quinzena de setembro e os primeiros carregamentos estão saindo das beneficiadoras rumo às fiações. Apesar de estimada com um crescimento de 10% em comparação com o ciclo anterior, a safra 2017/18 não será suficiente para atender a demanda doméstica. De tal modo, as importações chinesas de algodão tiveram forte expansões no início do ano e retomaram após o fim dos leilões da Reserva estatal, sobretudo de fardos australianos e americanos.

No início de 2018 o governo irá liberar a importação de 894 mil toneladas com tarifas reduzidas a 1%, conforme estabelecido pela cota comercial imposta em outubro de 2016 pelos representantes locais. Assim, a China deve procurar o algodão com cotações mais vantajosas. Até o momento, a pluma norte-americana apresenta maior competitividade perante a fibra com origem em outros países, no entanto, os prêmios nos portos dos Estados Unidos têm sofrido leve queda ao longo das últimas duas semanas. Apesar de as vendas de exportação de algodão norte-americano estarem bastante avançadas, grande parcela da pluma vendida ainda não foi exportada devido lentidão nos armazéns.

Ademais, no dia 12 de março do próximo ano, a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) anunciou que irá iniciar a venda de lotes da Reserva de algodão estatal, estabelecendo a comercialização de 30 mil toneladas diariamente até agosto de 2018. A venda da Reserva ocorre nesse período visando evitar competição com o algodão local, que adentra o mercado entre setembro e fevereiro. De tal modo, o algodão importado serviria de complemento à mistura da pluma nas fiações, a fim de manter uma qualidade mínima dos fios produzidos pela indústria têxtil local.

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