Gabriela Fontanari

Gabriela Fontanari

Graduada em Relações Internacionais pela FACAMP, está concluindo sua bidiplomação em Economia pela mesma instituição. Integra o time da Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 nos mercados de Fertilizantes, Algodão e Pecuária.

Clima dificulta retirada da pluma dos algodoais e atrasa entregas às beneficiadoras nos EUA

Quadro chuvoso e frio corrobora para o ritmo moroso da colheita norte-americana

O mês de dezembro marca o encerramento da colheita da safra de algodão nos principais estados produtores dos Estados Unidos – com exceção do Texas, no qual a retirada da pluma dos campos se estende até janeiro, devido ao volume da produção.

De acordo com o último acompanhamento de safra a ser divulgado pelo USDA nesta temporada, os cotonicultores norte-americanos haviam finalizado cerca de 70% da colheita até o dia 25 de novembro, representando um atraso de 8 pontos percentuais em relação à 2017/18, e de 7 p.p. frente à média dos últimos cinco anos.

O atraso decorre, principalmente, do ritmo moroso da colheita no Texas e na região Sudeste, defasado devido ao volume de chuvas, ventos fortes e baixas temperaturas atípicas para esta época do ano no cinturão do algodão. O quadro climático acabou por dificultar os trabalho em campo.

Nos últimos 30 dias (3/nov a 3/dez) a precipitação acumulada ao sul das Grandes Planícies texanas atingiu 40 mm, permanecendo dentro da faixa esperada. Contudo, a onde de frio e geadas em algumas áreas específicas dificultaram a evaporação e total absorção da água pelo solo.

No Sudeste, por sua vez, registrou-se chuvas até 400% acima do normal. A Georgia e as Carolinas receberam entre 250 e 350 mm de precipitação desde o início de novembro.

Com o quadro climático frio e chuvoso, o retardo na colheita levou a uma delonga no início das atividades de beneficiamento do algodão nos Estados Unidos. A dificuldade de entrega dos fardos da pluma às beneficiadoras acarretou em um recuo de 10% do volume beneficiado até 15 de novembro, no comparativo anual (gráfico 1).

O Texas totalizou aproximadamente 490 mil toneladas descaroçadas até 15 de novembro, de acordo com o último relatório do USDA. O volume se encontra 30% abaixo do observado no último ano-safra, quando 700 mil toneladas haviam sido beneficiadas no mesmo período (vide gráfico 2).

A queda decorre do atraso de 10 p.p. no ritmo da colheita, atualmente com 60% dos algodoais colhidos contra 70% em 2017/18.

A Georgia apresenta quadro similar, com as 156 mil toneladas beneficiadas atualmente correspondendo a uma redução de 20% do ritmo de descaroçamento frente as 195 mil toneladas de 2017.

Os cotonicultores do estado estão dentre os mais afetados pela passagem dos furacões entre agosto e setembro, registrando um recuo significativo nas condições da safra, assim como uma defasagem de 11 p.p. na colheita, com 72% das lavouras colhidas.

A região do delta do rio Mississippi apresenta quadro destoante, com a colheita seguindo seu ritmo normal e praticamente finalizada em 97%. Em diversos períodos, os estados do entorno do rio conseguiram acelerar a colheita, principalmente devido ao clima favorável durante a abertura dos capulhos.

Consequentemente, o beneficiamento da pluma se encontra 15% adiantado, com 637 mil toneladas descaroçadas.

Com ainda cerca de 30% da safra a ser colhida, os produtores dos EUA aproveitarão as janelas de sol para finalizar a colheita e retirar os fardos dos campos. Isto pois, conforme observado em 2017/18, a pluma colhida perde qualidade quando molhada, e pode ocorrer brotamento dentro dos fardos.

Ademais, o atraso do beneficiamento pode sinalizar uma defasagem do período de intensificação das exportações norte-americanas em 2018/19.

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