Marcelo Bonifacio

Marcelo Bonifacio

Graduando em Ciências Econômicas pela Unicamp. Integra o time de Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2021 no mercado de Grãos.
Este texto teve a colaboração de João Lopes.

Atraso no plantio da soja no segundo semestre de 2020 atingiu a semeadura do algodão no estado, mas bons números das exportações brasileiras mantêm a pluma em cenário favorável no ano de 2021 com preços atrativos para o exportador

A colheita do algodão no Mato Grosso: uma perspectiva para 2021

Na metade do mês de junho, a colheita do algodão teve início no principal estado produtor do Brasil, o Mato Grosso. Nesta safra 20/21, o cotonicultor mato-grossense tem enfrentado obstáculos climáticos, seja diretamente no campo do algodão já plantado, com a escassez de chuvas, seja pelo atraso no plantio da soja derivado da estiagem, que impactou o planejamento dos produtores entre o final de 2020 e o início deste ano. Dentro desse cenário, o tamanho da safra brasileira já é menor em relação à temporada 19/20, segundo os dados da Conab, em meio à queda na área plantada e à menor produtividade dadas as condições menos favoráveis do plantio. Mesmo assim, as exportações continuam pujantes, muito pelos ótimos preços internacionais e pela demanda aquecida vinda do sudeste asiático e da China. Por isso, este relatório busca trazer um panorama geral das condições da safra 20/21 até aqui e do que se esperar para as próximas semanas, ao passo que a colheita no estado do Mato Grosso vai avançando.

Clima e o atraso no plantio da segunda safra

No segundo semestre de 2020, a forte estiagem atingiu diversas regiões do Brasil e, no estado do Mato Grosso, provocou um atraso no plantio da soja em diversas regiões. A primeira fase do plantio do algodão (primeira safra) não foi tão atingida, pois o seu planejamento não é tão vulnerável ao ritmo de plantio de outras culturas. No entanto, não se pode dizer o mesmo da segunda safra de algodão, que é plantada após a colheita da soja. Desse modo, o adiamento no plantio da soja acabou provocando uma mudança no planejamento de muitos agricultores da região, uma vez que também se atrasou a sua colheita.

O algodão da segunda safra, que representa 83% de todo o plantio no estado, portanto, foi impactado, pois a demora para se colher a soja atrasou a semeadura da pluma, que é feita na área desocupada pela soja colhida. Estimou-se que 68% de todo algodão de segunda safra tenha sido semeado fora da janela ideal, algo que, por si só, já tornaria a cultura mais suscetível a piores rendimentos.

Ainda, a estiagem no começo desse processo, atrasando a semeadura da fibra natural, fez com que alguns cotonicultores plantassem outras culturas no lugar, como o milho, e/ou fizessem apenas uma safra do algodão. A situação no início de 2021, ainda, não teve melhora considerável, já que boa parte do primeiro semestre foi marcado por uma forte seca e falta de chuvas, fatores que contribuem para uma queda de rendimento na safra 20/21.

A colheita no Mato Grosso e os bons números para o algodão brasileiro

A colheita no estado do Mato Grosso teve início na metade de junho. Até o dia 23 de julho, segundo dados do Imea, 17,1% da área foi colhida. O destaque é a aceleração da colheita no nordeste mato-grossense, que já atinge 81,7%. Contudo, pela semeadura ter ocorrido boa parte fora da janela ideal, o ritmo está abaixo da média de 3 anos e em relação à safra 19/20, quando no mesmo período já havia 26,6% do algodão sido colhido no estado.

Evolução da área colhida no Mato Grosso

Fontes: IMEA. Elaboração StoneX.

Sobre os números da safra 20/21, o Imea calculou que a área plantada no Mato Grosso foi de 942,4 mil hectares, 16,76% menor se comparada ao ano passado. Em relação à produção da pluma, o Instituto espera que a safra atual atinja 1,6 milhão de toneladas, queda de 25% em relação à temporada anterior.  A Conab seguiu na mesma direção e estimou um recuou anual de 18% da área plantada do MT, para 956,1 mil de hectares (na temporada 19/20 foram plantados 1,16 milhão de hectares) e uma produção de 1,61 milhão de toneladas de algodão no estado, 23,4% abaixo das 2,1 milhões de toneladas da safra passada.

Além da redução na área, a produção em 20/21 foi também prejudicada por uma queda na produtividade, causada pelos fatores descritos no previamente. O IMEA espera uma queda na produtividade da pluma de 10% em relação ao observado no ano anterior, para 1,72 ton/ha. Já a Conab espera uma produtividade de 1,86 ton/ha para o estado, 6,6% abaixo da sua estimativa para o ano anterior.

Estimativa IMEA – Algodão em Pluma

Fontes: IMEA. Elaboração StoneX.

No entanto, as exportações brasileiras tem sido muito fortes neste ano de 2021, contribuindo para a queda de 21,4% nos estoques finais da pluma no Brasil, segundo a Conab, que devem atingir as 1,387 milhões de toneladas no final da safra atual – isso porque as exportações devem registrar as 2,01 milhões de toneladas. Esses números, trazidos pelo Levantamento de Safra do mês de julho, publicado pela Conab, já refletem o atraso da safra brasileira e as condições climáticas adversas nos campos – uma vez que as estimativas de junho colocavam as exportações em 2,34 milhões de toneladas, havendo, por sua vez em julho, um corte de um pouco mais de 300 mil toneladas estimadas para as exportações. Mesmo assim, a atratividade de preços para o exportador e a forte demanda pela pluma brasileira ainda trazem uma perspectiva mais favorável ao mercado e isso deve se manter no segundo semestre, quando as exportações do algodão devem se intensificar com o avanço da colheita.

Marcelo Bonifacio

Graduando em Ciências Econômicas pela Unicamp. Integra o time de Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil desde 2021 no mercado de Grãos.
Este texto teve a colaboração de João Lopes

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