Marina Malzoni

Marina Malzoni

Formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e mestranda em Economia Agrícola pela University of Alberta. Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área açúcar e etanol.
Este texto teve a colaboração de Rafaela Souza e Natalia Silva..

StoneX traça cenários para o resultado da safra 2021/22 no Centro-Sul

Boa parte das usinas do Centro-Sul caminham para o encerramento das suas operações de colheita da temporada 2021/22 (abr-mar), sendo que a UNICA aponta que cerca de 88 unidades já finalizaram suas atividades de campo na 1ª quinzena de outubro. Nesta cauda final do ciclo corrente é possível analisar com maior precisão os resultados obtidos ao longo dos últimos meses.

Não é novidade que o intenso déficit hídrico e ocorrência de geadas sobre o cinturão canavieiro levantaram preocupações acerca da produtividade dos canaviais em 2021/22. O clima adverso resultou em perspectivas de quebra abrupta de TCH, com parcela do mercado esperando a moagem em níveis inferiores a 520 milhões de toneladas.

Nossas projeções, no entanto, mostraram-se mais cautelosas ao longo do ciclo atual. De fato, em revisão divulgada em outubro/21, estimamos o TCH médio em 69,0 t/ha, representando uma queda anual de 11,0%, levando o processamento de cana para 533,1 milhões de toneladas em 2021/22 (-12,0%). Levando em consideração que a temporada corrente deve ter fim antecipado, é interessante elaborar cenários para a produtividade mensal das lavouras do Centro-Sul até março/22 – de modo a avaliarmos com maior assertividade as perspectivas para a processamento de cana ao final do ciclo 2021/22.

Cenários para o desempenho produtivo da safra 2021/22 (abr-mar)

As perspectivas para a moagem em outubro se mostram mais consolidadas em vista do número de usinas que devem encerrar suas operações no período, bem como das previsões de chuvas firmes para o mês corrente. Daqui para frente, contudo, é importante traçar cenários para o potencial produtivo dos canaviais do Centro-Sul, de modo a avaliar qual será o resultado do ciclo corrente, especialmente, ao considerar que o TCH da safra atual tem renovado suas mínimas históricas.

Cenário a)

Dados preliminares do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) apontam para uma produtividade média de 58,2 t/ha em setembro, posicionando-se 7,8% abaixo do menor valor observado até então para o período. Assumindo que essa diferença perdure ao longo dos próximos meses e considerando que boa parte da extensão canavieira de 2021/22 deve ser colhida até outubro, nossas estimativas apontam para uma moagem de cerca de 536,9 milhões de toneladas no acumulado da safra corrente. Isto representaria um recuo anual de 10,4% no TCH médio da região, para 69,5 t/ha.

Cenário b)

Adotando a variação mensal da produtividade média dos canaviais ao longo das 3 últimas safras, é possível prever como tende a se comportar este indicador até o fim de março/22. Com base nisso, nossos cálculos reforçaram nossa estimativa de que a moagem alcance 533,1 milhões de toneladas em 2021/22 – assumindo, também, a sazonalidade mensal da área colhida na região.

Tal estimativa se baseia em um TCH de 69 t/ha (-11,0%) no acumulado da temporada, tal como apresentado por nós em nosso relatório de estimativa de safra, divulgado no começo de outubro.

Cenário c)

Um cenário alternativo foi elaborado, de modo a avaliar como deveria se comportar o rendimento médio dos canaviais para o alcance de uma moagem abaixo de 530 milhões de toneladas. Para isso se concretizar, o TCH deverá caminhar abaixo das mínimas históricas entre outubro/21 e março/22, na ordem de aproximadamente 25%, resultando em um processamento de 523,9 milhões de toneladas na temporada atual. Para isso, no acumulado do ciclo, a produtividade das lavouras seria de 67,9 t/ha (-12,5%).

Cenários para a moagem no Centro-Sul (MMT)

¹Cenário a) ²Cenário b) ³Cenário c). Fontes: UNICA e StoneX. Elaboração: StoneX.

Estimativa mensal para o TCH no Centro-Sul*

*Cenário b). Fontes: UNICA e StoneX. Elaboração: StoneX.

Diante dos cenários expostos, é evidente que estimativas de quebra abrupta da safra corrente tendem a não se concretizar. Nossa percepção é que o cenário b) tenha maior probabilidade de ocorrer, já que acompanha o desempenho histórico do rendimento dos canaviais no comparativo mensal.

Previsões para o ciclo 2022/23 (abr-mar) no Centro-Sul

Em um horizonte de maior longo prazo, as condições climáticas serão fundamentais para a definição do potencial produtivo dos canaviais. Embora as chuvas em outubro tenham se mostrado positivas, tal desempenho terá que se manter com regularidade até março/22, de modo a contribuir com a saúde das lavouras.

De todo modo, o retorno da umidade favoreceu a disponibilidade de água nos solos do Centro-Sul, que agora se situa de 50 a 60 mm, de acordo com dados do Sistema de Monitoramento Agrometeorológico – Agritempo. Ainda assim, a probabilidade de ocorrência de La Niña permanecerá como ponto de atenção, já que pode contribuir com clima mais desfavorável ao potencial produtivo dos canaviais.

Nossas estimativas são de que o TCH médio da região apresente avanço anual de 5,0%, para 72,5 t/ha – resultando em uma moagem de 565,3 milhões de toneladas em 2022/23 (+6,1%). Evidentemente, tal expectativa será moldada com maior precisão ao longo dos próximos meses, a depender não só do regime de chuvas, mas também da taxa de renovação dos canaviais e da competição de áreas com grãos.

Em termos de mix produtivo, as usinas têm demonstrado maior cautela em suas contratações de açúcar para exportação. As preocupações acerca de um possível desabastecimento no mercado de combustíveis têm valorizado os preços do etanol, com o PVU do hidratado já operando em R$ 4,35/L nas usinas de Ribeirão Preto/SP.

Diante disto, o anidro opera com um prêmio de 5,1% sobre o contrato contínuo do #11. Tal condição pode estimular um maior direcionamento de matéria-prima para a produção de etanol no próximo ciclo. Ainda assim, as perspectivas de déficit global de açúcar na safra global de 2021/22 (out-set) também serão um ponto de atenção daqui para frente, já que poderão favorecer a atratividade do açúcar frente ao etanol.

 

 

 

Marina Malzoni

Formada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e mestranda em Economia Agrícola pela University of Alberta. Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área açúcar e etanol.
Este texto teve a colaboração de Rafaela Souza e Natalia Silva.

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