Matheus Costa

Matheus Costa

Formado em Engenharia Agronômica pela UFSCar. Trabalha na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 na área de Açúcar e Etanol.

Retrospectiva 2018 – Açúcar e Etanol

Retrospectiva 2018

Co-escrito por João Botelho, Fábio Rezende e Felipe Almeida

Em 2018, o açúcar manteve trajetória de queda no mercado internacional com a consolidação do superávit global em 2017/18 pesando sobre os preços. Em paralelo, as perspectivas para a safra internacional de 2018/2019 foram fortemente impactadas pelo clima no último ano. No Brasil, o etanol assumiu protagonismo devido ao melhor retorno econômico em relação ao açúcar e pela paridade favorável ante à gasolina. Nas seções abaixo, confira os principais fatores que afetaram os mercados de açúcar e etanol no Brasil e no mundo e saiba o que esperar para os dois setores em 2019.

A consolidação do superávit do mercado de açúcar e a derrocada nos preços

O ano de 2018 marcou a consolidação do superávit do setor açucareiro global em 2017/18, com condições climáticas favoráveis levando a Índia a fabricar um volume recorde de açúcar – reforçado pela implementação de uma variedade mais produtiva de cana – e a Tailândia a disponibilizar um grande volume de exportações. A liberalização do mercado europeu também contribuiu para a ampliação dos excedentes de açúcar em 2018, com esse contexto mais do que compensando a produção menor no Brasil, que focou seus esforços na destilação de etanol. Com isso, o contrato #11, que iniciou o último ano em US¢ 15,33/lb, traçou trajetória de baixa ao longo dos meses subsequentes na ICE/NY, atingindo o menor patamar dos últimos 10 anos em setembro: US¢ 9,90/lb. Apesar de tentar uma recuperação, a commodity finalizou 2018 com queda anual de 21,5%, a US¢ 12,03/lb.

O que esperar para 2019: a expectativa é de que o ciclo global 2018/19 apresente superávit mínimo, mas já há estimativas de déficit produtivo, podendo dar suporte aos preços do açúcar no médio e longo prazo. Contudo, grandes produtores possuem estoques de passagem elevados e, por isso, as exportações tendem a continuar firmes e reduzir o potencial altista.

A volatilidade do petróleo em 2018

O preço do petróleo iniciou 2018 em tendência de alta. No início de outubro, o contrato principal do WTI atingiu US$ 76,41/bbl, acumulando 16 dólares de avanço desde o início do ano. A partir daí, contudo, o mercado entrou em colapso: o WTI recuou 30 dólares em três meses e fechou 2018 a US$ 46,68/bbl, retornando a valores de 2016. Mudanças radicais nos fundamentos de oferta e demanda causaram a ampla flutuação dos preços do petróleo. No início do ano, as perspectivas para a economia global eram amplamente otimistas, o que poderia manter o ritmo de crescimento do consumo de petróleo acelerado. No entanto, a forte valorização do dólar a partir do final de abril pesou sobre a demanda, especialmente nos países emergentes. O ano de 2019 se inicia com perspectivas bastante pessimistas a atividade econômica global devido ao ciclo de aperto monetário realizado pelos principais bancos centrais e a corrente guerra comercial entre os EUA e a China. A demanda de petróleo, portanto, deve continuar a desacelerar. Pelo lado da oferta, o anúncio da retirada dos EUA do Acordo Nuclear Iraniano e da imposição de novas sanções contra o país criaram a expectativa de um déficit de produção. Essa expectativa começou a perder força já em junho, quando os países da OPEP+ entraram em acordo para aliviar suas cotas de produção. O intenso ritmo de crescimento da produção e dos estoques dos EUA também contribuiu para a inversão nas perspectivas.

O que esperar para 2019: por fim, o cenário de déficit mudou claramente para um de superávit após o governo americano distribuir isenções ao embargo contra o Irã aos principais importadores de petróleo do país. Nos primeiros meses de 2019, entretanto, o cenário volta a se inverter: os países da OPEP+ devem voltar a realizar um corte já a partir de janeiro; as isenções ao embargo expiram no final do primeiro trimestre, e os americanos devem encontrar barreiras logísticas à expansão acelerada de sua oferta.

Câmbio brasileiro traça tendência de alta em 2018

O câmbio brasileiro se apreciou durante o primeiro semestre e metade do segundo, sustentado pelas expectativas acerca das eleições presidenciais de 2019. Após a vitória de Jair Bolsonaro (PSL), candidato cujas premissas econômicas mais agradavam os investidores, o dólar comercial apresentou retração ante às máximas do ano. Todavia, o contexto internacional continuou pesando sobre o real, com tensões comerciais entre Estados Unidos e China ampliando o sentimento global de aversão ao risco e afetando negativamente as perspectivas de crescimento econômico mundial. Elevações na taxa básica de juros norte-americana, realizadas pelo Fed ao longo de 2018, também contribuíram para a apreciação do dólar.

O que esperar para 2019: em meio à continuidade do aperto monetário nos Estados Unidos – que pode observar dois novos ajustes neste ano –, as atenções se voltam à resolução dos impasses comerciais entre as duas maiores economias do mundo. No Brasil, investidores observarão de perto o primeiro ano do novo governo e o andamento da aprovação de propostas para o equilíbrio fiscal no país.

Avanço do RenovaBio melhora perspectiva para o setor alcooleiro brasileiro

O RenovaBio tomou forma em 2018. A política de biocombustíveis brasileira visa proporcionar previsibilidade e segurança ao setor de biocombustíveis, bem como garantir o cumprimento das metas de redução nas emissões de gases do efeito estufa firmadas pelo Brasil na Conferência Climática de Paris (COP21). Projeções oficiais indicam que a demanda de hidratado poderá crescer para 36 bilhões de litros (+140%), enquanto a de anidro recuará para 11 bilhões de litros (-8,3%) até 2028 como resultado da nova política. De forma geral, espera-se que os biocombustíveis ampliem sua participação na matriz energética brasileira em 8,6 pontos percentuais até o respectivo ano, para 28,6%. Ao longo do ano definiu-se as diretrizes de cálculo para a Nota de Eficiência Energético-Ambiental, indicador que será essencial para a geração de créditos de descarbonização (CBIOs) por produtores brasileiros de biocombustíveis. Vale lembrar que os créditos serão adquiridos por distribuidoras para o cumprimento das metas de descarbonização, e ajudarão a elevar a receita das usinas brasileiras.

O que esperar para 2019: o início do RenovaBio, previsto para dezembro deste ano, dependerá da continuidade do apoio governamental. Ademais, a fim de preservar a competitividade dos biocombustíveis ante aos equivalentes fósseis – e fomentar a implementação da política –, a Petrobras precisará dar continuidade aos ajustes de preço dos combustíveis fósseis.

 

Além desses temas, o Relatório Especial de Retrospectiva de 2018 para Açúcar e Etanol aborda os seguintes tópicos:

  • Índia e seu volumoso excedente de açúcar
  • A rápida lua-de-mel da beterraba com a União Europeia
  • Tailândia amplia sua competitividade no mercado internacional
  • Petrobras mantém paridade da gasolina com mercado internacional
  • O protagonismo do etanol no Centro-Sul do Brasil

Não deixe de conferir o arquivo completo baixando-o gratuitamente aqui!

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