João Botelho

João Botelho

Economista, com graduação na UNICAMP e especialização em Finanças Corporativas pela mesma Universidade. É Especialista em Inteligência de Mercado na INTL FCStone, com foco em açúcar e biocombustíveis.

Preços de etanol devem seguir pressionados nos EUA

A projeção do USDA para produção de milho na safra 2017/18 nos EUA foi de 362,7 milhões de toneladas métricas (mi t) em sua revisão de outubro. Esse total está 5,7% abaixo das 384,8 mi t do ciclo 2016/17. Porém, a produção de etanol não deverá apresentar queda. Após novo recorde na safra passada, o USDA projeta que o uso de milho para etanol avance 0,7% nos EUA em 2017/18. Com isso quase 15,7 bilhões de galões serão produzidos, potencialmente um novo recorde.

Diferentemente da cana-de-açúcar, que precisa ser processada rapidamente após a colheita, o milho como insumo pode ser estocado por meses, ou até anos. Esse armazenamento não acarreta perdas significativas para a produtividade. Assim, a projeção do USDA de que os estoques finais de milho subirão 1,9% na safra 2017/18 (para 59,4 mi t) corrobora a perspectiva de aumento da produção de etanol no período. A maior disponibilidade do insumo potencialmente pressionaria os preços do milho no país, incentivando destilarias a produzirem mais biocombustível.

Demanda interna

O programa norte-americano de mistura de biocombustíveis a derivados fósseis, o Renewable Fuel Standard (RFS), teve início em 2007. A lei chamada Energy Independence and Security Act (EISA) deu o pontapé inicial para esse movimento. A EISA estipula volumes anuais que devem ser consumidos no país até 2022. O fim é reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa.

Contudo, os mandatos de mistura são publicados anualmente pela EPA e podem diferir dos números inicialmente estipulados pela EISA. No caso dos biocombustíveis convencionais, que incluem o etanol de milho, o mandato final da EPA ficou abaixo do projetado pela EISA entre 2014 e 2016. Em 2017, ele voltou a ficar igual. Assim, caso a EPA concorde novamente com a EISA em 2018, a mistura obrigatória de etanol de milho será de 15 bilhões de galões. Esse total é inferior à estimativa de produção do produto na safra 2017/18. Dessa maneira, haveriam duas principais alternativas para a destinação do etanol americano excedente. Ou estoques (que já estão próximos das máximas históricas) ou o mercado internacional.

Mercado externo

Entretanto, o cenário externo não se apresenta muito favorável ao etanol dos EUA. A China, destino de aproximadamente 9% do etanol americano nos últimos três anos, retirou a isenção de tarifas de importação de biocombustível dos EUA e do Brasil no início de 2017. Com isso, foi reinstalada a alíquota de 30%, reduzindo drasticamente os embarques de produto americano para o gigante asiático.

Já o Brasil, responsável por 17% do total embarcado nos últimos três anos, realizou movimento parecido. Agora, há um limite de 150 milhões de litros por trimestre livres do imposto de importação. A tarifa, de 20%, incide sobre os volumes excedentes. Essa mudança ocorreu com o disparo das importações de etanol americano entre o final de 2016 e início de 2017, devido ao elevado diferencial de preços no período. Com essas barreiras tarifárias, as portas para dois dos três maiores importadores de etanol dos EUA estão parcialmente fechadas. Nesse contexto, caso o etanol americano não encontre outro destino, a safra 2017/18 provavelmente será marcada por preços baixos. Por outro lado, caso haja grande pressão sobre as cotações, a janela de exportação de etanol americano para Brasil e China pode se abrir. Isso aconteceria mesmo considerando as novas tarifas alfandegárias dos dois países.

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