Rafaela Souza

Rafaela Souza

Graduanda em Ciências Econômicas pela UNICAMP com passagem pela Berlin School of Economics and Law . Trabalha desde 2019 na Inteligência de Mercado da StoneX do Brasil, com foco na área de açúcar e etanol.

Perspectivas para o plantio e desenvolvimento da beterraba nos EUA em 2020

Conforme comentado na última terça-feira (31), estimativa divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) aponta que a área plantada com beterraba no país pode crescer em 2020, para 460,7 mil hectares. Além de aumento anual de 0,6%, esse valor se posiciona como o maior observado desde 2016.

De modo geral, além das indicações de temperatura e umidade majoritariamente positivas à implementação da cultura, como será melhor abordado adiante, o cenário acima parece ser resultado, também, do contexto atual do setor açucareiro americano. Isso porque, em meio à quebra da safra 2019/20 (out-set), espera-se forte aperto no balanço entre oferta e demanda de açúcar no país.

Vale lembrar que as condições climáticas adversas no ciclo atual impactaram negativamente a produtividade média do tubérculo nos EUA, que passou de 75 t/ha em 2018 para 72,2 t/ha em 2019 – menor patamar desde 2014.

Área plantada com beterraba nos Estados Unidos (em mil hectares)

*Expectativa. Fonte: USDA. Elaboração: INTL FCStone.

Tanto que, segundo estimativa divulgada em março pelo USDA, a produção de açúcar  na temporada corrente deve totalizar 7.286 mil toneladas, retração de 10,8% no comparativo safra-a-safra. Em paralelo, as internalizações da  commodity tendem a aumentar 8,8%, para 3.029 mil toneladas.

Ainda assim, espera-se que o armazenamento de açúcar ao fim do ciclo atual atinja 1.166 mil toneladas, volume que é 27,8% inferior ao registrado em 2018/19 e se posiciona como o menor nível desde 1994/95. Por fim, estima-se que a relação estoque/uso diminua para os menores patamares recentes, alcançando 7,2% (-7,3 pontos percentuais em relação a 2018/19).

De forma específica, o que esperar para a semeadura de beterraba nas principais áreas produtoras dos EUA? Nota-se que os estados Minnesota (MN), Dakota do Norte (ND) e Michigan (MI), que juntos corresponderam a cerca de 69% da área total cultivada nos EUA no último ano, devem apresentar crescimento na área plantada em 2020. Enquanto a implementação do tubérculo em MN pode se estender por 172,8 mil hectares (+0,7% no comparativo anual), os estados de ND e MI podem registrar 86,6 mil hectares (+0,9%) e 60,7 mil hectares (+2,7%) plantados com a cultura, respectivamente.

Entretanto, em Idaho (ID), estado responsável por 15,1% do plantio em 2019, a expectativa é de que a semeadura alcance 68,0 mil hectares no ano corrente e apresente diminuição de 1,8% em relação ao anterior.

De modo geral, a diferença entre os estados pode estar atrelado às condições climáticas mais secas observadas em ID no comparativo com as demais regiões citadas anteriormente, conforme apresentado na próxima seção.

Umidade do solo* na superfície (superior) e subsuperfície (inferior) – desvio em relação à média

*Pontilhados são áreas de beterraba. Fonte: USDA. Elaboração: StoneX

A dinâmica da temperatura e umidade nos estados produtores

Inicialmente, não há indicações de que as condições climáticas nas próximas semanas levem ao atraso das atividades de campo, mas a análise da temperatura e da umidade, tanto no passado recente quanto no curto prazo, se mostram fundamentais para a compreensão das expectativas de plantio por parte dos agricultores e de como pode ser o desenvolvimento inicial da beterraba neste ano.

Probabilidade para as condições climáticas nos EUA entre abril e junho (em %)

Fonte: NOAA. Elaboração: StoneX.

Essa perspectiva se torna ainda mais clara quando consideramos que nem toda a área plantada pode vir a ser colhida. Em 2019, por exemplo, apenas 86,5% da extensão cultivada com a beterraba foi colhida ao passo que, em 2018, essa proporção se situou em 98,5%.

De modo geral, até meados do último mês, o teor de água da superfície (0-20 cm) e da subsuperfície (20-40 cm) do solo se mostrava, em grande parte, positivo em Minnesota e na Dakota do Norte, mas se posicionava abaixo da normalidade em Michigan e Idaho .

No caso de MI, contudo, as precipitações na última semana de março foram abundantes, o que pode ter contribuído para melhora na proporção de água no solo – cenário que também foi observado em MN e ND.

Por outro lado, em Idaho, as chuvas se mantiveram abaixo da média ao longo do último mês, o que pode ter pressionado ainda mais a umidade da superfície e subsuperfície dos campos, essa que já se encontrava em níveis aquém do usual.

Para o trimestre compreendido entre abril e junho, previsões climáticas apontam que a situação da umidade do solo tende a continuar negativa em Idaho, dada a conjunção entre temperaturas mais elevadas e possibilidade de entre 40% a 50% de que precipitações permaneçam abaixo da média.

Nas demais regiões produtoras, no entanto, as chuvas podem ser mais abundantes, o que tende a compensar os impactos de condições climáticas mais quentes esperadas para a época.

O contexto climático recente e as perspectivas positivas em Minnesota, na Dakota do Norte e em Michigan reforçam as primeiras indicações de que a produção de açúcar a partir da beterraba pode voltar a crescer em 2020/21. Obviamente, a concretização desse cenário dependerá, também, de como a cultura se comportará no verão, época que é caracterizada pelo fechamento das fileiras, sendo de suma importância para a determinação da produtividade final das lavouras.

Por outro lado, tanto a menor área plantada com o tubérculo quanto a menor umidade podem pressionar a obtenção de beterraba por produtores de Idaho na próxima temporada, pressionando, consequentemente, a fabricação de açúcar no estado.

Ainda assim, é preciso destacar que, historicamente, a produtividade agrícola de ID é maior em relação aos outros estados, tendo alcançado 96,4 t/ha em 2019, o que pode fazer com que os números absolutos sejam mais elevados no comparativo com as demais regiões analisadas.

 

 

 

Este texto teve a colaboração de Matheus Costa, membros da equipe de Inteligência de Mercado da INTL FCStone.

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