João Botelho

João Botelho

Economista, com graduação na UNICAMP e especialização em Finanças Corporativas pela mesma Universidade. É Especialista em Inteligência de Mercado na INTL FCStone, com foco em açúcar e biocombustíveis.

Em último dia, INTL FCStone reúne-se com terceiro maior grupo sucroalcooleiro da Tailândia

A manhã, almoço e parte da tarde do último dia da viagem à Tailândia foi tomado por reunião com a Khon Kaen Sugar Industry (KSL). A empresa opera cinco usinas de açúcar no país, com capacidade combinada de 95 mil toneladas de cana por dia, tornando este o terceiro maior grupo tailandês. Além disso, a companhia possuí duas destilarias de etanol e três unidades de cogeração, todas associadas às usinas de cana. Fora do país, a empresa opera uma usina em Laos e outra no Camboja.

João Paulo Botelho, Analista de Inteligência de Mercado da INTL FCStone,
vice-presidente de desenvolvimento de negócios da KSL e assistente

Na reunião fui recebido pela vice-presidente de desenvolvimento de negócios e seus assistentes. Entre os vários tópicos discutidos podemos destacar uma perspectiva menos pessimista para o setor no país apresentada pela empresa na comparação com as reuniões do começo da semana. A posição da KSL também ecoa grande parte das opiniões compartilhadas pelos executivos da Mitr Phol no dia anterior.

Um primeiro ponto é a questão da competição com outras culturas. O arroz, principal produto agrícola do país, apresentaria remuneração significativamente melhor do que a cana na região central do país apenas para os produtores que praticam duas safras por ano. Para isso, entretanto, é necessário grande disponibilidade de água, o que não se deu este ano. A produção de apenas uma safra do cereal, por sua vez, não é competitiva em relação à cana.

No caso da mandioca, que compete com a cana principalmente nas áreas montanhosas do leste do país o produto apresentou preços significativamente melhores este ano na comparação com anteriores, com a cotação média girando ao redor de BHT 2.000/t. Considerando que a maioria dos produtores consegue rendimentos de até 25 ton/ha, a receita média seria de BHT 50.000/ha.

Este número é praticamente igual à renda oferecida pela cana, que paga BHT 800/ton (considerando o prêmio pela taxa de recuperação), mas para a qual os produtores normalmente conseguem produtividades superiores a 60 ton/ha, mesmo em um ano de quebra. Neste paradigma, é até possível que os fornecedores deixem de replantar a cana e adotem a mandioca na área de renovação, mas está mudança seria facilmente revertida caso ocorra elevação nos preços do açúcar.

Altar na entrada do escritório da KSL

E qual seria o nível necessário para incentivar os fornecedores de cana a aumentar o plantio? Segundo os comentários de hoje e de ontem, este patamar provavelmente estaria ao redor de BHT 1.000 a 1.100 por tonelada. Para que estes níveis sejam atingidos, entretanto, o preço internacional do açúcar teria que subir acima de 15 a 16 centavos de dólar por libra-preso, e ainda dependeria da cotação do melaço para atingir este patamar.

Se este nível não for superado de maneira consistente, entretanto, é provável que a área de cana continue estável e com tendência de queda. Neste cenário, é provável que algumas empresas até percam suas licenças já concedidas para a construção de novas usinas, o que levaria a maior dificuldade – pelo menos pelo lado burocrático – na retomada da expansão do setor.

Quanto ao custo trabalhista, comentou-se que de fato existe um aumento do preço da mão-de-obra imigrante que normalmente faz grande parte da colheita de cana no país. A continuidade deste cenário, entretanto, é duvidosa.

Isso porque grande parte do aumento na demanda por estes trabalhadores em seus países de origem é resultado de obras de infraestrutura financiadas pela China, como parte de sua iniciativa Cinturão e Rota. Estes projetos, entretanto, não devem durar muitos anos e ainda existem dúvidas quanto ao impacto dos mesmos sobre o desenvolvimento dos países. Com isso, é possível que a demanda seja passageira.

A necessidade de contratar estes trabalhadores imigrantes também seria um dos motivos pelos quais a safra tailandesa teria começado mais cedo e com moagem muito acelerada este ano. Isso porque grande parte dos mesmos voltam a seus países de origem para comemorar o ano novo, celebrado na região no dia 13 de abril. No ano passado, devido à elevada produtividade agrícola, havia grande disponibilidade de cana quando o feriado chegou e, após a conclusão das festividades, foi muito difícil para os produtores de cana encontrar trabalhadores dispostos a voltar para terminar a colheita da safra.

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