Matheus Costa

Matheus Costa

Formado em Engenharia Agronômica pela UFSCar. Trabalha na Inteligência de Mercado da INTL FCStone do Brasil desde 2017 na área de Açúcar e Etanol.

Clima pode intensificar impacto de mudança regulatória sobre safra da Europa

Nas últimas semanas, o andamento do plantio e a área semeada com beterraba na Europa têm sido importantes indicativos de como pode ser a produção de açúcar no continente em 2019/20 (out-set). De forma geral, dados divulgados por associações e ministérios até agora mostram que a extensão cultivada neste ano apresentará redução ante ao anterior – contexto que é resultado de retração nas cotações do açúcar e, consequentemente, do tubérculo.

Na França, o maior produtor de açúcar da União Europeia, o Ministério da Agricultura estimou que a área implementada com beterraba pode atingir 454,7 mil hectares, retração de 6,3% em relação a 2018. Destaca-se que este número pode ser ligeiramente menor: de acordo com a Associação dos Produtores de Beterraba do país, cerca de 450 mil hectares do tubérculo são esperados para o plantio deste ano.

As expectativas para a cultura na Ucrânia seguem tendência similar. Autoridades do país esperam que a extensão semeada com beterraba no país atinja 245 mil ha – forte redução ante à projeção inicial de 261 mil ha. A Associação Nacional dos Produtores de Açúcar (Ukrtsukor), por sua vez, se mostra mais pessimista, projetando que entre 220 e 230 mil hectares serão cultivados com beterraba em 2019.

Mesmo com perspectivas de retração na área, o andamento do plantio tem se mostrado à frente do ano passado. Enquanto agricultores franceses semearam 98% do esperado até 3 de abril, produtores da Rússia estão com 162,3 mil ha plantados até a quarta-feira (09) – avanço de 40,8 mil hectares em relação ao mesmo período do ano passado.

Isso porque, após as diversas complicações observadas no ano passado, as condições climáticas se mostraram favoráveis à implementação da beterraba em 2019. Embora lavouras europeias tenham registrado chuvas menos abundantes nos últimos trinta dias, a umidade no continente – fator que foi o principal responsável pela quebra de produtividade no último ano – atingiu níveis satisfatórios nas últimas semanas.

As temperaturas na Europa se mostraram ligeiramente acima da média. Embora tenham permitido que as atividades de campo se iniciassem dentro da janela esperada, o ambiente mais quente aliado às chuvas mais escassas acabaram pesando sobre as condições da vegetação em importantes polos de produção. Tanto que o Índice de Saúde Vegetal (VHI, na sigla em inglês) mostrou piora de até 45 pontos no comparativo anual durante as últimas 4 semanas – podendo pesar sobre o vigor inicial da beterraba.

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