Alto custo de combustíveis reduz o consumo do ciclo Otto em setembro

Participação do hidratado nas vendas alcança máxima desde 2009

Dados da ANP publicados esta semana e referentes a setembro continuam mostrando que a paridade favorável está levando a demanda acelerada por etanol hidratado nos postos do país. As vendas da variedade pelas distribuidoras registrou 1,8 milhão de m³ no mês em questão, 37,0% acima no comparativo anual, e o maior volume já registrado para o período. A procura por gasolina, por outro lado, foi de 2,9 milhões de m³ (-17,0%), o menor volume desde 2010. O biocombustível registrou 30,4% de participação do total do ciclo Otto, a maior proporção desde outubro de 2009.

Contudo, o volume total registrado no ciclo Otto, de 4,2 milhões de m³, foi 6,0% inferior ao registrado no mesmo período de 2017. O menor interesse do mercado por combustíveis pode ser relacionado ao aumento dos preços nas bombas, para ambas as variedades. Nos postos em São Paulo, principal estado da produção sucroenergética e consumo de combustíveis, o preço médio do biocombustível em setembro foi de R$ 2,61/L, ganho de 6,5% ante o registrado em 2017, enquanto que sua contraparte fóssil foi de R$ 4,40/L (+21,5%), segundo dados da ANP.

A gasolina foi sustentada principalmente pelos ganhos registrados no mercado internacional de petróleo no comparativo anual, assim como pela depreciação do câmbio. A cotação do petróleo WTI, importante indicador da commodity, apresentou preço médio em setembro de US$ 70,08/bbl, 40,6% acima do mesmo mês me 2017, enquanto que o dólar apresentou média de R$ 4,11 (+30,9%). As usinas, de forma análoga, estavam negociando o etanol hidratado PVU a uma média de R$ 2,06/L (14,8%) para Ribeirão Preto/SP no mês.

O consumo para o mês de outubro deve continuar a ser afetado pelos preços elevados, tanto para o etanol, quanto para a gasolina. A média do WTI para outubro,  foi de US$ 70,67/bbl, 10,8% acima de 2017, e do câmbio, de R$ 3,77 (+17,8%), mantiveram o preço alto da gasolina, enquanto que a média do etanol hidratado na porta das usinas, a R$ 2,19/L (14,6%), sustentou o biocombustível. Consequentemente, os preços nas bombas mantiveram-se elevados, com a média de São Paulo em R$ 2,75/L (+10,7%) para o etanol e em R$ 4,50/L (+21,9%) para a gasolina.

Ademais, a proporção de participação do etanol hidratado no ciclo Otto também pode reduzir em outubro. Desde a segunda quinzena do mês, as cotações de petróleo assumiram trajetória baixista, com o WTI concluindo o mês em US$ 65,31/bbl, perda de 10,8% ante o final de setembro. O câmbio também reduziu a sustentação da gasolina, com forte apreciação do real em antecipação ao resultado das eleições presidenciais. Dessa forma o USDBRL concluiu outubro registrando R$ 3,723, 7,8% abaixo de setembro.

Mesmo que a queda da gasolina tenha levado a retração do etanol nas últimas semanas, no acumulado de outubro o preço do hidratado PVU na região de Ribeirão Preto subiu 1,0%, concluindo o mês a R$ 2,12/L. Desta forma, enquanto as bombas começaram a repassar as quedas do petróleo em seus derivados, o biocombustível continuou sustentado. Em São Paulo, dados referentes à semana do último dia 26 apresentam a gasolina estável, no comparativo semanal, em R$ 4,51/L, enquanto o etanol continuou sua trajetória altista, registrando R$ 2,81/L (+1,5%).

Dessa forma a paridade elevou-se a 62,4%, 2,4 pontos percentuais acima do registrado no começo de outubro, levando à possibilidade de que a participação do hidratado no ciclo Otto caia nos próximos meses em relação ao registrado em setembro. Apesar disso, a paridade continua 4,8 p.p. abaixo do mesmo período no ano passado, o que deve manter a demanda pelo biocombustível muito superior ao que foi registrado em 2017, mesmo com a queda na procura por combustíveis do ciclo Otto.

Matéria escrita por Felipe Almeida, colaborador INTL FCStone até fevereiro de 2019.

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