Apesar de fundamentos e cenário macroeconômico, açúcar encerra semana relativamente estável

Nesta primeira semana de dezembro, o açúcar #11 continuou sendo negociado em um range relativamente estreito na ICE/NY. O contrato contínuo testou a resistência psicológica dos US¢ 13,00/lb, bem como o suporte dos US¢ 12,50/lb, sendo incapaz de encerrar as últimas sessões além desses níveis.

Em paralelo, o volume das negociações ficou aquém do usual. A média para as 5 primeiras telas atingiu cerca de 74,2 mil lotes na semana – chegando a 49,7 mil contratos na quarta-feira (05). Ao final do pregão desta sexta-feira (07), a primeira tela do demerara atingiu US¢ 12,87/lb, registrando alta semanal de 0,2%.

Sob a ótica dos fundamentos do açúcar, a Ásia foi destaque nos últimos dias e proporcionou viés baixista às cotações internacionais. Segundo o acompanhamento de safra divulgado pela Associação das Usinas de Açúcar da Índia (ISMA, na sigla em inglês), referente ao acumulado até o dia 30 de novembro, a produção indiana de açúcar atingiu 3,97 milhões de toneladas, 1,5% acima do registrado no mesmo período da última safra.

Já o acompanhamento da Tailândia indicou que o início da moagem dos canaviais do país ocorreu com 11 dias de antecipação no comparativo com 2017/18 (out-set). Desta forma, entre os dias 20 e 30 de novembro, a produção de açúcar totalizou 137,4 mil toneladas.

Apesar deste cenário dos fundamentos do açúcar, é preciso lembrar que as expectativas para 2018/19 nos países supracitados são de redução expressiva da fabricação de açúcar. Esse contexto evidencia as incertezas acerca do rumo do mercado, uma vez que os primeiros dados do ciclo podem não refletir as reais extensões das diminuições produtivas projetadas para a Índia e Tailândia.

O contexto macroeconômico, como não poderia deixar de ser, foi marcante nas movimentações do açúcar. Para o petróleo, o fator de maior destaque foram as especulações quanto à definição dos cortes produtivos por membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e aliados.

As confirmações indicaram que produtores diminuirão a extração de petróleo em 1,2 milhão de barris por dia, ficando acima das expectativas do mercado – e da proposta inicial da Arábia Saudita, de 1,0 milhão de barris/dia. Assim, a variedade West Texas Intermediate encerrou a sexta em US$ 52,61, registrando alta semanal de 3,3%.

O câmbio, por sua vez, foi guiado pelas expectativas acerca do desenrolar das negociações entre Estados Unidos e a China. Após o estabelecimento de uma relativa trégua na guerra comercial entre as duas potências,  agentes do mercado têm ficado atentos aos fatores que podem impactar a viabilidade do acordo. Por exemplo, prisão da presidente do grupo Huawei, um dos principais do setor de tecnologia da China, e posição agressiva da justiça norte-americana em relação ao caso podem colocar em risco a resolução das tensões. De forma geral, o USDBRL encerrou o dia cotado a R$ 3,890 (+0,9%).

Matéria escrita por Felipe Almeida, colaborador INTL FCStone até fevereiro de 2019.

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