Produção forte, demanda tímida podem causar 1º superávit global em três anos

A consultoria INTL FCStone elevou sua projeção de superávit no balanço mundial de oferta e demanda de açúcar das 2,6 milhões de toneladas estimadas no início de setembro para 2,8 milhões de toneladas. Isso levaria os estoques mundiais a registrar 72,4 milhões de toneladas ao final do ciclo 2017/18, versus 69,6 MMT projetados para o ano-safra anterior.

“Esses níveis de estoques finais representariam 39,5% da demanda mundial na safra recém iniciada, uma relação estoque/uso em linha com a vista em 2015/16 e acima das 38,3% estimadas para 2016/17”, observa o analista de mercado da INTL FCStone, Pedro Shinzato. O grupo projetou a procura pelo produto em 183,1 MMT durante o ano-safra iniciado em outubro recente, marcando avanço de 0,8% em comparação com 2016/17.

“No lado da oferta, ao contrário do esperado para a safra passada, estimamos uma redução na produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo de 2017/18 (out-set)”, destaca Shinzato, em relatório. Isso porque a INTL FCStone considerou provável que unidades produtoras brasileiras destinem maior parcela de sua matéria-prima para a fabricação de etanol, que concorre diretamente com a gasolina no Brasil, onde a maior parte da frota automotiva é composta por veículos flex fuel.

A perspectiva de produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro ao longo da safra-mundo 2017/18 (que coincide majoritariamente com a safra 2018/19 na região) foi reduzido para 31,0 MMT (tel quel).

No segundo maior produtor mundial, a Índia, a safra 2017/18 reserva perspectivas de grande recuperação após dois ciclos consecutivos de quebra de safra associados à forte seca que atingiu o país com o El Niño de 2015.

A produção indiana de açúcar na safra 2017/18 foi elevada para 25,0 milhões de toneladas (valor branco), 23% maior que no ciclo anterior e acima das 24,5 MMT estimadas pela INTL FCStone em setembro.

Já na União Europeia, a safra 2017/18 já teve início dando sinais de maior disponibilidade de açúcar no bloco. Na expiração do contrato futuro de açúcar branco de outubro negociado na ICE Londres, ocorrida cerca de dez dias após a divulgação da estimativa anterior da consultoria para o saldo global de açúcar (e, portanto, poucas semanas antes do início oficial da safra 2017/18 no velho continente), 4 mil toneladas foram entregues contra a expiração da tela no porto de Rouen, na França.

Apesar de praticamente irrisório frente os volumes do mercado global do adoçante, o carregamento de açúcar branco no navio MV Michelle C no início de outubro simbolizou as perspectivas de maior oferta de açúcar na União Europeia em 2017/18, uma vez que é a primeira exportação do bloco após o fim do sistema de cotas a partir do dia 1º/out.

Com ampla expansão da área plantada com beterrabas açucareiras principalmente na França e na Alemanha em conjunto com um cenário climático mais favorável que o visto em meados de 2017, a INTL FCStone projeta que a produção de açúcar do bloco alcance 18,9 milhões de toneladas (valor branco), crescimento de quase 21% em comparação com 2016/17.

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